SEGURANÇA DO LÍTIO EXAMINADA

O lítio é ligado à anormalidades da tireóide e paratireóide, ganho de peso, e um risco aumentado para a redução da capacidade de concentração urinária, mas ainda não é claro o quanto pode causar mal-formações congênitas,sugere nova pesquisa.
A revisão sistemática e meta-análise de 385 ensaios controlados, randomizados e estudos observacionais também encontrou poucas evidências de que o lítio produz uma redução clinicamente significativa da função renal na maioria dos pacientes e que o risco de insuficiência renal entre os usuários da droga é baixa .
“O lítio é a mais eficaz terapia a longo prazo para o transtorno bipolar, protegendo contra a depressão e mania e reduzindo o risco de suicídio e mortalidade a curto prazo”, o professor John R. Geddes, Universidade de Oxford e Hospital Warneford.
“Porque o lítio tem é uma droga não patenteada e barata, não é comercialmente divulgado e o potencial de efeitos adversos tem sido um impedimento substancial de usar”, eles escrevem.
Tem havido a preocupação sobre o efeito do lítio sobre a função renal e sua suposta teratogenicidade. Apesar dessas preocupações, não há uma “síntese adequada da evidência de efeitos adversos”, observam os autores.
Com o primeiro autor Rebecca F. McKnight, o estudo foi publicado on-line 20 de janeiro na revista Lancet. Link: http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(11)61516-X/abstract

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EUA encontram pesticida ilegal em suco de laranja do Brasil e Canadá

As autoridades americanas bloquearam nesta sexta-feira (27) nove amostras de suco de laranja originários de Brasil e Canadá, depois que seu conteúdo deu positivo para um fungicida ilegal no país.
A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, da sigla em inglês) disse que foi detectado no suco de laranja o carbendazim, um pesticida que não está autorizado para os cultivos de laranjas nos Estados Unidos, mas que é autorizado no Brasil e em outros países.
A FDA está realizando testes nos envios de suco de laranja de todos os países e de todos os produtores que embarcam o produto para os Estados Unidos depois de ter registrado vestígios de contaminação no início do mês.
A agência reguladora afirmou que o pesticida foi detectado em uma proporção de 10 partes por bilhão (ppb) em 11 amostras, duas das quais decidiram anular a venda aos Estados Unidos.
As outras nove amostras foram detidas na fronteira. Um total de 80 envios foram analisados.
Cinco carregamentos são originários do Brasil e seis do Canadá.
No início de janeiro, a FDA informou que encontrou vestígios de carbendazim que pareciam proceder de pesticidas aplicados em laranjais.
O químico estava presente em “baixos níveis” em alguns derivados de suco de laranja importados do Brasil, afirmaram as autoridades americanas.
No entanto, a Agência de Proteção Ambiental realizou uma análise preliminar de riscos e concluiu que o consumo de suco com carbendazim em baixos níveis “não é seguro”.
Fonte: R7.com

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OXALIPLATINA TEM POUCOS BENEFÍCIOS E ALTA TOXICIDADE EM CÂNCER RETAL

31 de janeiro de 2012 (San Francisco, Califórnia) – Resultados a longo prazo a partir do estudo francês ACCORD 12 indicam que a adição da oxaliplatina à capecitabina e radioterapia não traz benefícios adicionais de sobrevivência e aumenta a toxicidade em pacientes com adenocarcinoma retal ressecável, de acordo com a pesquisa apresentada no Gastrointestinal Cancers Symposium 2012.
O autor Eric François, do Centro Antoine Lacassagne, em Nice, França, observou que os resultados a longo prazo do ACCORD 12 e similares recentes ensaios clínicos randomizados, tais como Star 01 e NSABP 04, indicam que a oxaliplatina não deve ser incluído no tratamento neoadjuvante de adenocarcinoma retal ressecável.
Dos resultados “e os de outros estudos recentes, podemos propor um novo regime para o tratamento neo-adjuvante para adenocarcinoma retal ressecável – o regime de CAP50,” Dr. François disse.
O regime CAP50 consiste em radioterapia de 50 Gy em 25 frações por 5 semanas, mais 1.600 dias capecitabina mg / m² e 800 mg² duas vezes por dia em dias de radioterapia, explicou.
No estudo ACCORD 12.598 pacientes de 56 diferentes instituições francesas foram randomizados para CAP45 (radioterapia 45 Gy semanais durante 5 semanas mais capecitabina 1600 mg / m² por dia) ou CAPOX50 (50 Gy de radioterapia por 5 semanas mais capecitabina 1600 mg / m² por dia mais oxaliplatina).
“Após 3 anos de seguimento, não houve diferença significativa na sobrevida global com a adição de oxaliplatina para radioterapia e capecitabina,” Dr. François explicou. Além disso, não houve diferença significativa na sobrevida livre de doença em três anos entre o CAP45 e CAPOX50 grupos (71% vs 73%).
Início de grau 3 e 4 toxicidades foram significativamente mais comuns no grupo CAPOX50 do que no grupo CAP45 (25% vs 11%, P <0,001). “Toxicidade aumenta Oxaliplatina, particularmente diarréia, sem qualquer impacto claro sobre a taxa de resposta completa,” Dr. François acrescentou.
Ele acrescentou que o aumento da dose de radioterapia a 50 Gy com quimioterapia melhorou a taxa de resposta completa, sem aumentar os efeitos tóxicos.
A equipe francesa avaliaram a qualidade de vida para os pacientes que se submeteram a cada regime. Aos 3 anos, não houve diferença significativa entre os dois regimes em termos da função intestinal, disfunção erétil, ou perturbação da vida social, Dr. François relatou.
Em comparação com outros estudos recentes de tratamentos neoadjuvante no adenocarcinoma retal, ACCORD 12 encontraram que a capecitabina e radioterapia é tão eficaz quanto fluorouracil (5-FU) acrescido de radioterapia.
“É evidente a partir dos resultados deste estudo que a oxaliplatina não parece levar a um maior benefício para pacientes com câncer anal ressecáveis, e é mais tóxico”, disse Gail Eckhardt, da Universidade do Colorado, em Denver.
Dr. Eckhardt observou, no entanto, que os resultados do estudo poderiam ter sido atrapalhado pelo número de mudanças que os investigadores fizeram a terapia neo-adjuvante padrão para o câncer anal ressecável. “O entusiasmo dos investigadores levaram a três mudanças: a utilização de oxaliplatina em vez de 5-FU, intensificando a dose de capecitabina, e aumentando a dose de radioterapia”, disse ela.
Os achados mais relevantes para a prática clínica do estudo ACCORD 12 são aqueles em recorrência local e metástases à distância três anos após o tratamento, o que indica que não há diferença significativa nestes resultados com a adição de oxaliplatina, Dr. Eckhardt disse.
“É também claro a partir destes resultados que podemos substituir a capecitabina para 5-FU infusão, sem comprometer os resultados”, disse Dr. Eckhardt.
A dose de radioterapia recomendada pelos pesquisadores – 50 Gy – é aquele que a maioria dos médicos se sentir confortável com o tratamento do câncer anal em ressecáveis, Dr. Eckhardt observou.
Como a pesquisa continua em tratamento para câncer retal, é provável que os pacientes serão beneficiados, não só do regime testados no estudo ACCORD 12, mas também de novas formas de entregar a radioterapia e a integração de produtos biológicos em terapia adjuvante.
“Nós estaremos usando imagens para a terapia manual, e o potencial está lá para encontrar biomarcadores de resposta ou resistência à terapia,” disse Dr. Eckhardt. “Deveríamos ser capazes de olhar para estes marcadores de resposta e resistência para nos guiar no desenvolvimento de futuras terapias para esta doença”, acrescentou.
Dr. François é consultor/assessor da Merck e Roche. Dr. Eckhardt é consultor/assessor de Genentech, Millenium, Onconova, Oncothyreon, e Sanofi-aventis.

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EUA aprovam novo medicamento para tratar câncer de pele

Remédio foi liberado para uso em tumores locais e espalhados pelo corpo.
Droga possui efeitos colaterais como perda de cabelo e de peso.

As autoridades norte-americanas aprovaram nesta segunda-feira um novo medicamento para tratar a forma mais comum de câncer de pele (carcinoma de células basais), que não costuma ser letal, mas pode se expandir se não for tratado.
O novo medicamento, Erivedge (vismodegib), é fabricado pelo laboratório Genetech, filial americana da gigante farmacêutica suíça Roche e foi aprovado pela autoridade sanitária dos Estados Unidos (FDA).
Este medicamento é o primeiro efetivo em pacientes cujo carcinoma se expandiu tanto localmente quanto para outras partes do corpo, ou inclusive ter feito metástase.
Um teste com 96 pacientes mostrou que 30% das pessoas com metástase mostraram uma remissão parcial depois de usar o medicamento, uma pílula ingerida uma vez por dia. Entre os pacientes cujo câncer tinha se expandido localmente, 43% tiveram remissão total ou parcial das lesões.
“O medicamento é para pacientes com carcinomas de células basais avançados a nível local, mas que não são candidatos para cirurgia ou radioterapia e para pacientes cujo câncer se expandiu para outras partes do corpo”, disse a FDA.
Os efeitos colaterais desta droga incluem espasmos, perda de cabelo, perda de peso, náuseas, diarreia, fadiga, distorção do paladar, vômitos, constipação e perda do gosto na língua.
Anualmente são diagnosticados nos Estados Unidos mais de um milhão de novos casos de carcinomas de células basais, porém menos de 1.000 são fatais, segundo o Instituto Nacional do Câncer local.

Clique aqui para ler esta notícia direto da fonte

Fonte: Portal G1

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Brasil passará a tratar em massa vítimas de doenças parasitárias

O Brasil vai mudar a estratégia de tratamento de três doenças negligenciadas ainda presentes: tracoma, helmintíases e esquistossomose. A partir deste ano, populações de áreas onde as infecções parasitárias têm alta prevalência passarão a ser tratadas em massa – a medicação será oferecida a todos os que estão em risco, independentemente de um exame confirmar a contaminação. O tracoma, transmitido por bactéria, terá combate acelerado.
“Não dá para tratar de um problema desses como se estivéssemos na Finlândia.É preciso praticidade”, afirmou o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. Ele conta que atualmente são necessárias pelo menos quatro consultas até que uma pessoa com sintoma de helmintíase passe a ser medicada.“Ela procura o médico num dia, entrega o material coletado para exame emoutro, busca o resultado e somente depois tem a receita para tratar o problema.” Diante de tanto trabalho, afirma o secretário, muitos pacientes – sobretudo aqueles que vivem em regiões mais pobres – acabam desistindo antes mesmo de o diagnóstico ser concluído.
“Enquanto isso, uma criança de classe média já na primeira consulta temreceita para fazer o tratamento”, diz, O tratamento em massa há anos é colocado em prática em outros países. No México, diz Barbosa, há pelo menos 15 anos a terapia das helmintíases é feita em grupo.
A resistência em adotar estratégia semelhante no País é atribuídaàs características das doenças.Todas estão associadas à baixa cobertura de saneamento básico, de abastecimento de água e à pobreza. Por isso, o argumento prevalente era o de que não adiantaria apenas dar medicamento se problemas estruturais não fossem resolvidos – pois, depois de tratadas as doenças, poderiam voltar. “Isso gera imobilismo.
Além disso, há uma questão ética: o remédio é barato, eficaz, está disponível. A oferta temde ser facilitada.” Helmintíases,esquistossomose e tracoma estão localizadas emalgumas áreas do País, sobretudo nas Regiões Norte e Nordeste.Emboraos números nacionais não sejam expressivos, nos locais em que tais doenças são encontradas a prevalência entre a população é bastante expressiva: algumas parasitoses chegam a atingir 70% do grupo avaliado.
Crianças comesquistossomose e helmintíases têm maior risco de anemia e comprovadamente apresentam menor aproveitamento escolar – fator que acaba ajudando a perpetuar a pobreza.
O tracoma, por sua vez, quando não é tratado pode levar à cegueira. “No Brasil a perda total davisão não acontecemais. Mas, em alguns locais, a prevalência da doença chega a 5%. A meta é erradicar a infecção nos próximos anos”, afirmou Barbosa.

Mapeamento. A estratégia da secretaria é chegar à população de risco por meio de programas de saúde na escola ou de agentes desaúde.Ummapeamentodecidades consideradas prioritárias para essas doenças foi feito e recursos extras foram concedidos para incentivar o tratamento.
A ação também busca mudar os parâmetros para avaliação em áreas de risco. “Não podemos aceitar queprevalênciadeesquistossomose seja considerada alta somente quando ultrapassa 50%, como era no passado. Hoje, 25% já tem de ser considerado um número alto.
A concessão de recursos extraordinários também foi feita para hanseníase, outra doença negligenciada presente no Brasil. No caso de helmintíases e hanseníase, áreas de maior risco estão sobrepostas. Norte e Nordeste, seja em periferia de centros urbanos, seja no interior”, afirmou. A esquistossomose, por sua vez, está mais presente em áreas rurais.

Fonte:  O Estado de S.Paulo

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Estudo explica ação de cogumelo alucinógeno no cérebro

Cientistas dizem ter mapeado os caminhos que levam à ação dos cogumelos alucinógenos no cérebro.

A chamada “viagem” provocada por certos tipos desse fungo seriam causadas por alterações na oxigenação e no fluxo de sangue em regiões do cérebro. Uma consequência da psilocibina, o princípio ativo dos “cogumelos mágicos”.

Trabalhos anteriores sugerem o uso terapêutico da substância –que alegadamente leva a experiências existenciais profundas.

David Nutt e colegas fizeram imagens detalhadas do cérebro de dois grupos de 15 adultos saudáveis durante vários estágios: da consciência à psicodelia. Os voluntários receberam injeções intravenosas de psilocibina.

A intensidade dos efeitos alucinógenos subjetivos descritos pelos participantes –como a visão de padrões geométricos e a alteração da percepção de espaço e tempo– coincidiu com uma diminuição do fluxo de oxigênio e sangue em regiões do cérebro em que as conexões neurais são mais densas, o córtex pré-frontal medial e o córtex cingulado.

Acredita-se que esses “hubs” do cérebro acelerem o fluxo de informação pelo órgão. A redução de atividade nesses pontos que a psilocibina causa poderia ser responsável, portanto, pelos profundos efeitos da droga na consciência, dizem seus autores.

Atividade acima do normal no córtex pré-frontal medial já foi relacionada à depressão. Segundo os pesquisadores, isso pode indicar como os supostos efeitos antidepressivos da psilocibina ocorreriam.

O trabalho foi publicado na revista científica “PNAS”.

Fonte: Folha de São Paulo

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Crack: uma questão de saúde pública

Os investimentos em políticas públicas de enfrentamento ao crack são recentes, iniciaram nos anos 2000, e esse é um dos motivos da desarticulação no tratamento dos dependentes químicos.

“O preconceito em relação ao tratamento”, segundo Marcelo Ribeiro de Araújo, também contribui para a desarticulação, ” porque ainda existem pessoas que acham que ‘passar a borracha’ nos usuários é a melhor solução” para acabar com as drogas.

Para ele, o desafio em relação ao tratamento dos usuários de crack é tratar o caso como um problema de saúde pública. Nesse sentido, avalia, os Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD) representam um avanço, “mas os profissionais ainda não receberam toda a capacitação que poderiam ter recebido”. E dispara:

“O grande problema é que as pessoas colocam a responsabilidade toda no Caps, mas ele não consegue resolver o problema da dependência química. Alguns pacientes se beneficiam com o Caps e outros não.

Têm pacientes que precisam, por exemplo, de uma moradia assistida, que é um intermediário, e isso ainda não existe no Brasil”.

Em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone, Araújo diz que o consumo do crack está associado a situações de violência e abuso. Nesse sentido, argumenta, “retirar os viciados da cracolândia não vai resolver o problema da dependência.

É preciso oferecer serviços para esses indivíduos, associados a outras medidas, como a de saneamento, por exemplo. Ao encarar a cracolândia como uma área de traficantes e apenas querer limpar o espaço, se corre o risco de piorar a situação daqueles que estão seriamente dependentes do crack”.

Marcelo Ribeiro de Araújo é mestre e doutor em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo – Unifesp. Atualmente é diretor de ensino da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas da mesma universidade e autor do livro O Tratamento do Usuário do Crack (editora Artmed).

Confira a entrevista.
IHU On-Line – Hoje as campanhas de combate as drogas focam muito no consumo de crack. Por quê? Essa é a droga mais utilizada e a que causa maior dependência?

Marcelo Ribeiro de Araújo – Sim. O crack é uma droga que de fato desorganiza os usuários, porque eles ficam muito dependentes e desestruturados. Os usuários de crack também são os que mais buscam tratamento, ou são levados a buscar pela família ou por outras pessoas. O crack é uma droga que impacta, e é usada em grupos, em locais abandonados, e tudo isso atrai a atenção dos usuários.

IHU On-Line – Quais são os principais efeitos do crack sobre o psiquismo do sujeito?

Marcelo Ribeiro de Araújo – O crack é a cocaína na sua apresentação para ser fumada. Então, nesse sentido, farmacologicamente, ele é a cocaína.

A cocaína é um estimulante do sistema nervoso que, quando utilizada, provoca um quadro de euforia e de bem estar, que é o que as pessoas buscam inicialmente, juntamente com um quadro de aumento da alerta, inquietação, aceleração psicomotora, aumento dos batimentos cardíacos. Isso tudo acompanha a intoxicação por essa substância.

A diferença entre ela e a cocaína cheirada é que a cocaína fumada (crack) atinge os pulmões, e uma grande quantidade de cocaína entra de uma vez só no corpo, atingindo rapidamente o cérebro. De cinco a oito segundos, a cocaína entra pelos pulmões, passa pelo coração e chega no cérebro. Então, o crack produz um efeito intenso e rápido, causando maior dependência.

IHU On-Line – Desde quando o Brasil investe em políticas públicas de enfrentamento ao crack e quais são as políticas existentes para tratar os dependentes?

Marcelo Ribeiro de Araújo – As políticas públicas são muito recentes e realizadas pelo governo federal, governos estaduais e municipais, de uma maneira que poderia ser melhor integrada. Para você ter uma ideia, até 2003 não havia serviços para tratamentos específicos ambulatoriais para dependência química. Havia apenas seis serviços: três em São Paulo, um na Bahia, um no Rio e um em Porto Alegre.

A partir dos anos 2000, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, foi introduzida a primeira política de drogas, entretanto, as políticas públicas passaram a se estruturar em 2003 e, desde então, estão aumentando, a partir da criação dos Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD).

IHU On-Line – Como é realizado o tratamento de dependentes químicos no Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD)?

Marcelo Ribeiro de Araújo – Quando um tratamento começa, avaliamos qual é a estrutura química, física e social do paciente. A partir daí, escolhemos as opções que melhor atenderão as necessidades dele. Esse é o conceito atual.

Então, é feita uma avaliação das necessidades e a partir disso, tentamos começar o tratamento com uma proposta terapêutica, onde são considerados os ambientes que temos à disposição (podem ser os ambulatórios, podem ser as clínicas, as comunidades terapêuticas, os hospitais).

É escolhido o melhor ambiente, pensado na equipe de profissionais disponível para ajudar esse paciente e nas estruturas de apoio sociais – se o dependente químico tem filhos, procuramos uma creche para a criança, por exemplo. Portanto, algumas decisões são clínicas e outras, sociais.

Os profissionais que atuam com os dependentes são o que chamamos de gerentes de caso, porque ficam junto com o paciente, próximo do dia a dia dele, e além do tratamento psicológico, ajudam e monitoram outras questões da vida social.

IHU On-Line – E como acontece isso na prática? O Brasil está preparado para esse modelo de tratamento?
Marcelo Ribeiro de Araújo – A partir dos anos 1980 e 1990, foram fechadas todas as clínicas de internação.

Havia vários manicômios velhos, cheios de ratos, onde as pessoas ficavam completamente abandonadas. O problema é que após fecharmos os manicômios, não colocamos nenhum modelo de internação no lugar, e algumas pessoas precisam ser internadas. Algumas vezes, não sempre, é bom começar o tratamento por uma desintoxicação de um mês.

Tem pessoas que ficam muito comprometidas socialmente porque desistem de uma internação em comunidade terapêutica.

Têm pacientes que se beneficiam do Caps, mas este é um tratamento que requer uma estrutura do dependente, pois ele precisa marcar a consulta, e ir às reconsultas. Esse é um tratamento para alguém que já está conseguindo se estruturar melhor. Atualmente, existem Caps nas capitais e nas cidades médias ou naquelas que possuem Universidades Federais, Estaduais. Ainda falta integrar melhor o Caps com o tratamento informal.

IHU On-Line – Como o senhor avalia o desempenho dos Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD)?

Marcelo Ribeiro de Araújo – A adaptação, às vezes, fica prejudicada porque como poucas pessoas trabalham com o tema no Brasil e não há muitos locais para se capacitar. Os profissionais ainda não receberam toda a capacitação que poderiam ter recebido.

O grande problema é que as pessoas colocam a responsabilidade toda no Caps, mas ele não consegue resolver o problema da dependência química. Alguns pacientes se beneficiam com o Caps e outros não. Têm pacientes que precisam, por exemplo, de uma moradia assistida, que é um intermediário, e isso ainda não existe no Brasil.

Antes dos anos 1990, não tinha política nenhuma, o que surgiu no governo Fernando Henrique Cardoso foi uma grande carta de intenções, que se preocupava mais com a repressão do que em estruturar uma rede de tratamento para os dependentes químicos. Mas esse era o momento histórico.

Foi desenvolvido um trabalho de colocar no papel tudo o que entendíamos por dependência, doença, mas a política de enfrentamento para o crack veio aparecer agora. Depois que a Dilma assumiu, ela fez o plano de enfrentamento e as propostas são válidas.

Ela está pensando em diversificar a rede, e capacitar os profissionais. A ideia que está no papel é boa.
IHU On-Line – Alguns especialistas alegam que a desarticulação entre as políticas de segurança, saúde e assistência social tem prejudicado o tratamento de dependentes em crack. O senhor concorda? Quais são as razões desta desarticulação entre as políticas públicas?

Marcelo Ribeiro de Araújo – O motivo desta desarticulação é porque o país investe em política pública nessa área há pouquíssimo tempo. Então, as pessoas ainda estão “batendo a cabeça”. A falta de articulação também esbarra no preconceito em relação ao tratamento, porque ainda existem pessoas que acham que “passar a borracha” nos usuários de droga é a melhor solução. Essa é uma mentalidade da cultura dos indivíduos.

Está no imaginário das pessoas essa concepção de que o dependente químico é um drogado e que não há problema em tratá-lo com violência. As pessoas, às vezes, acabam agindo de uma maneira equivocada.

IHU On-Line – Quais os desafios de tratar a dependência química como um problema de saúde pública e não como uma questão de segurança?

Marcelo Ribeiro de Araújo – O grande desafio é possuirmos ambientes e capacitação, além de ter a oportunidade de influir nos momentos em que se definem as políticas públicas. É uma questão de encarar o crack como uma questão de saúde pública. Retirar os viciados da cracolândia não vai resolver o problema da dependência. É preciso oferecer serviços para esses indivíduos, associados a outras medidas, como a de saneamento, por exemplo.

Ao encarar a cracolândia como uma área de traficantes e apenas querer limpar o espaço, se corre o risco de piorar a situação daqueles que estão seriamente dependentes do crack.

IHU On-Line – Considerando as pesquisas que o senhor realiza na universidade e o contato que tem com dependentes, diria que houve uma evolução no tratamento com dependentes químicos nos últimos anos?

Marcelo Ribeiro de Araújo – Com certeza. Evoluímos bastante. Fiz um mapa sob como o crac foi evoluindo no Brasil nesses 23 anos e percebi que quando o tema entrou em pauta, nós, pesquisadores, se quer publicávamos sobre o tema – ficávamos fazendo revisão de artigos. Hoje, pelo contrário, temos muitos profissionais pesquisando sobre o assunto, vários serviços de assistência aos dependentes químicos.

Nós avançamos muito em pesquisa e nos tratamentos, só que infelizmente ainda estamos no começo. Essa é a principal questão.

IHU On-Line – Como o uso de crack evoluiu nesses 23 anos? O perfil dos consumidores também mudou?

Marcelo Ribeiro de Araújo – O crack ainda continua sendo uma droga de pessoas de classe baixa e que têm baixa escolaridade. A classe média também consome, mas está longe de ser o grande consumidor. Os usuários são pobres, com histórico de violência e abuso. Nesse período, houve de fato uma disseminação do crack pelas grandes cidades:

São Paulo, Porto Alegre, o restante do Sul, Belo Horizonte e depois a droga foi sendo espalhada para o Rio de Janeiro e Nordeste. O crack já se interiorizou. Hoje, 98% das cidades convivem com esse problema. Em municípios de 10 mil habitantes, até os bóias-frias fumam a droga.

Fonte: uniad.com.br

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Encontro Técnico Informativo sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos e Implantação Obrigatória do PGRSS

Encontro Técnico Informativo sobre a Política Nacional de
Resíduos Sólidos e Implantação Obrigatória do PGRSS
 
4 de fevereiro de 2012 – das 8h30 às 16h30
 
Endereço: Universidade São Judas Tadeu – Rua Taquari, 546 – Mooca, São Paulo/SP
 
Público-alvo: Farmacêuticos
Coordenação: Comissão de Resíduos e Gestão Ambiental do CRF-SP
 
8h30   Abertura
Palestra: A visão da Secretaria Municipal de Serviços frente aos resíduos de saúde
Marisa Merussi Neiva
Diretora da Divisão Técnica de Incineração e Transbordo – LIMPURB 5

Renato Ferreira da Silva
Chefe de Seção Técnica – LIMPURB 5

Jefferson Ferreira da Silva
Coordenador de Seção Técnica – LIMPURB 5

     
9h45   Palestra: Legislação Sanitária ambiental e trabalhista sobre o destino dos resíduos dos serviços de saúde
Dra. Célia Correa Bento WadaGestora de Sustentabilidade da ALL SAFETY ERGONOMICS

Presidente/Diretora do Departamento de Meio Ambiente da CMQV

Diretora da divisão de Gestão Ambiental e Controle de Riscos do IBEA

Membro da Comissão Assessora de Resíduos e Gestão Ambiental do CRF-SP

     
10h30   Perguntas
     
10h45   Intervalo
     
11h   Palestra: PNRS e a influência na gestão ambiental das empresas farmacêuticas
Representante da Sanofi-Medley (a confirmar)
     
12h00   Palestra: A Logística Reversa diante da PNRS e do PGRSS
Dr. Raphael Correa de Figueiredo
Coordenador Comercial da AMBICAMP Coleta e Destinação de Resíduos Químicos
Membro da Comissão Assessora de Resíduos e Gestão Ambiental do CRF-SP
     
12h45   Almoço
     
14h   Mesa Redonda Expositiva: PNRS – Acordos setoriais e seus reflexos na sociedade: Necessidade, realidade, obrigatoriedade, marketing e sustentabilidade

Introdução:
Dr. Raphael Figueiredo

Coordenador Comercial da AMBICAMP Coleta e Destinação de Resíduos Químicos
Membro da Comissão Assessora de Resíduos e Gestão Ambiental do CRF-SP

Moderadoras:
Dra. Célia Correa Bento WadaGestora de Sustentabilidade da ALL SAFETY ERGONOMICS

Presidente/Diretora do Departamento de Meio Ambiente da CMQV

Diretora da divisão de Gestão Ambiental e Controle de Riscos do IBEA

Membro da Comissão Assessora de Resíduos e Gestão Ambiental do CRF-SP 

Dra. Luciane Maria Ribeiro Neto 

Pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo

Professora do Centro Universitário São Camilo

Membro da Comissão Assessora de Resíduos e Gestão Ambiental do CRF-SP

     
    Debatedores:
   
14h15 Indústrias (Sindusfarma)
Dr. Jair Calixto
Gerente de Boas Práticas e Auditorias Farmacêuticas do Sindusfarma
14h30 Farmácias (Sincofarma-Abrafarma)
Dr. Juan Carlos Becerra Ligos
Diretor Executivo do Sincofarma
14h45 Universidades (USP)
Dra. Terezinha de Jesus Andreoli Pinto
Professora Titular do Depto de Farmácia FCF-USP
15h Fiscal (CRF-SP)
     
15h15   Debate
     
16h30   Encerramento
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PLANTÃO MÉDICO : Um chá contra a osteoporose

Em Mendonza, Argentina, terra do vinho e do chimarrão, médicos concluíram que o chá-mate consumido diariamente na região melhora a densidade mineral óssea das pessoas, resultando em possível ajuda na prevenção da osteoporose.
Nessa doença, portadores de baixa massa óssea estão em risco de fraturas espontâneas ou também depois de leves tropeços.
Os médicos Andrea Conforti, Maria Gallo e Fernando Saravi relatam, na edição da revista “Bone” deste mês, que o consumo de erva-mate está associado à presença de alta densidade mineral óssea em mulheres na fase de pós-menopausa.
A pesquisa foi realizada dentro do programa para a prevenção e o tratamento da osteoporose da cidade de Mendoza.
A erva-mate Ilex paraguariensis diluída em água quente, na tradicional cuia do chimarrão, contém xantinas (alcaloides também presentes no café e no cacau) na concentração de 330 miligramas por litro. Esse chá é sorvido da cuia por um canudo de prata denominado “bomba”.
Os autores compararam 146 mulheres em fase de pós-menopausa que consumiam no mínimo um litro de chá-mate diariamente, por mais de quatro anos, com um grupo controle com o mesmo número de mulheres.
As senhoras que estavam em tratamento para osteoporose, em uso de corticosteroides, que eram consumidoras de bebidas alcoólicas ou fumantes não participaram da pesquisa.

Fonte: Folha de S.Paulo

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Teste de DNA avalia risco de câncer de mama

Um teste para saber se mulheres com idade entre 30 e 69 anos, mesmo sem histórico familiar de câncer, têm risco baixo, moderado ou alto de desenvolver tumores de mama será lançado no fim de janeiro no Brasil.
O exame, que já é vendido nos EUA e foi desenvolvido pela empresa americana Intergenetics Incorporated, não será encontrado em farmácias ou hospitais. Só poderá ser solicitado por uma rede de médicos credenciados no site da empresa.
O preço estimado do OncoVue é de R$ 3.000. A análise do DNA é feita a partir de uma amostra de saliva, enviada para um laboratório nos EUA.
Já há testes similares para predizer o risco de a mulher ter câncer de mama, mas são indicados para aquelas com suspeita de síndrome hereditária da doença.
Nesses casos, o câncer ocorre em parentes próximas, como mãe e filha ou irmãs. Um exame de sangue identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, responsáveis pela síndrome.
“Cerca de 90% dos casos de câncer de mama não estão ligados a essas mutações. O teste é para essa maioria que não sabe se tem o risco da doença”, afirma Paulo Cruz, mastologista e consultor técnico da OncoVue.
A novidade, diz ele, é que o teste analisa 19 genes ligados à doença e 22 variações específicas no DNA, os SNPs (pronuncia-se “snip”).
Segundo o médico, quem tiver o risco moderado ou alto de desenvolver a doença poderá receber acompanhamento específico e adotar medidas preventivas, como não fazer reposição hormonal.
“É uma grande sacada. Essas mulheres com maior risco poderão fazer exames mais detalhados”, afirma.

POLÊMICA
O teste não é uma garantia de que a mulher com maior risco terá câncer. Questionado sobre se o teste poderá causar preocupação excessiva nas pacientes, Cruz nega. “Quem tiver risco elevado poderá se cuidar mais.”
Esse tipo de teste, comum nos EUA, é polêmico por causa das implicações éticas e do impacto que o resultado pode causar nos pacientes.
“Já estamos observando que esses testes resultam em muitas informações com pouco conhecimento e geram mais angústias do que ajudam. A pessoa tem a mutação da doença e passa a vida toda sem desenvolvê-la. Para que saber?”, questiona a geneticista Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano.
Paulo Campana, diretor médico do laboratório CDB também faz ressalvas. “É complicado, porque pode gerar mais neuroses do que vantagens”, afirma.
Na semana passada, a empresa americana Life Technologies Corp. anunciou o lançamento da máquina Ion Torrent, que decodifica o DNA das pessoas em um dia por US$ 1.000 (R$ 1.760).
O Fleury Medicina e Saúde comprou o aparelho, que deve chegar até o fim do mês. Mas o uso será para pesquisas de doenças genéticas em parceria com instituições públicas e privadas.
“O desafio hoje é descobrir o melhor uso dessa informação e quais serão as aplicações desse conhecimento”, diz Edgar Rizzatti, coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do Fleury.

Fonte: Folha de S.Paulo

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