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Fonte: Jornal São Camilo Educação On-line
Data de publicação:
02/06/10


I Fórum de Bioética

Com o tema Bioética e Educação: humanizando o futuro, o Centro Universitário São Camilo-SP realizou, no dia 22 de maio, o I Fórum de Bioética, em parceria com a Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (ANEC).

O evento tem o objetivo de formar docentes da rede católica para que possam introduzir a reflexão bioética na prática educacional das escolas. Especificamente, pretende apresentar e conceituar a bioética e discutir como utilizá-la no ensino fundamental e médio.  

Atualmente a bioética é uma importante área multidisciplinar de pesquisa e discussão. Mas há poucas discussões sobre a sua importância na área da educação. A coordenação do evento explica que é preciso refletir sobre a contribuição que a Bioética pode oferecer para o processo formativo de professores e alunos, de modo a propiciar instrumentos que possibilitem introduzir, nas práticas educacionais, sejam curriculares ou organizacionais, conteúdos e reflexões próprios da pesquisa em Bioética.

A solenidade de abertura do I Fórum de Bioética contou com a presença do Pe. Christian de Paul de Barchifontaine, Reitor do Centro Universitário São Camilo e membro da diretoria da ANEC; do Prof. Claudenir Modolo, Coordenador do Curso de Filosofia, e do Prof. Antonio Boeing, representando o Pe. Roberto Duarte Rosalino, coordenador da ANEC/SP.

Pe. Christian afirma que a São Camilo tem um enorme apreço pela bioética e que ela tem ligação em tudo que faz na vida, inclusive para discutir sobre a bioética para uma educação humanizada.

“Há uma diferença entre o professor, que é a pessoa que transmite o conhecimento, e o educador que, além de ensinar, trasmite os valores. A bioética é a oportunidade de dialogar sobre todos os valores no sentido de resgatar a dignidade humana sob o ponto de vista da bioética. Hoje os jovens assistem todos os dias à corrupção, à violência, à injustiça e essa é a oportunidade de discutir como vamos resgatar esses valores na questão da partilha, justiça, solidariedade. Somos todos os educadores transformadores dessa sociedade”, declara Pe. Christian.

O Prof. Antonio ressaltou a importância da parceria entre a São Camilo e a ANEC, que proporciona encontros para discutir temas relevantes e que contribuam para a educação em todas as esferas.

“Nessa parceria, estamos propondo também encontros e projetos que envolvam a questão ambiental, a sustentabilidade em diferentes frentes. Nós, como centros de educação, seja na educação básica e ensino superior, queremos, cada vez mais, oferecer projetos para que se possa construir uma sociedade fundamentada em princípios que defendam a vida e que as novas gerações e também as gerações que caminharam um pouco mais possam resgatar os valores da vida sob o olhar da bioética”, afirma Antonio. 

Temas recentes, como a celúla sintética, também foram lembradas durante o evento. Prof. Claudenir aponta que serão cada vez mais frequentes discussões que envolvam a bioética para refletir sobre os novos problemas e desafios.

A primeira palestra, com o tema Fundamentos da bioética, definição e contextualização, foi proferida pelo Prof. Dr. Pe. Márcio Fabri, doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e docente do programa de doutorado e mestrado em Bioética, do Centro Universitário São Camilo-SP.

Prof. Márcio apresentou os três eixos de compreensão da bioética. O primeiro está relacionado às ciências e tecnologias. Em seguida as relações humanas e ambientais e por último são vistos os sentidos e valores. Todas interferem uma na outra. “O ser humano cria e modifica instrumentos, mas também se modifica com essas mudanças. Temos que perceber onde estão essas novas tecnologias e aprender a humanizá-las”, explica Fabri.

Durante a palestra apresentou vários exemplos e explicou cada um dos eixos passando pelas novas formas de conhecimento e produção, da revolução da informática, sobre o genoma sintético e as novas 'mágicas' tecnológicas. “Alguns acham que a ciência e a tecnologia resolvem tudo. Mas devemos descobrir outras razões que movam nosso viver”, explica o teólogo.

Também levantou alguns desafios que a bioética traz no cenário educacional como a crise de sentidos e valores tanto pessoais como religiosos, a eficiência e velocidade das informações e das tecnologias. “É preciso educar a consciência crítica, humanizar os novos tempos com criatividade”, declara Pe. Márcio.

As preocupações da bioética estão no poder técnico, ético e sobrevivência, respeito ao outro e a autonomia, beneficência, justiça, a responsabilidade e, ainda a transcendência. “Se você não sai de você não conseguirá descobrir e aceitar o outro”, explica o docente. 

O tema Bioética e os parâmetros curriculares foi ministrado pela Profa. Ms. Maria Isabel Dumaresq, Mestre em Bioética, diretora de Ensino do Colégio São Camilo-Cardeal Motta. A docente abordou a bioética na educação básica e como fontes ricas de informação analisou a Lei de Diretrizes e Bases e os parâmetros curriculares nacionais.

Profa. Maria Isabel levantou três questionamentos que propiciaram também a discussão do debate realizado ao final das explanações: Quem são nossos alunos? Qual o grau de influência que temos sobre eles? Quem somos nós educadores e como influenciamos na vida deles?

Profa. Luci Fernandes, Coordenadora do Curso de Pedagogia, afirma que é necessário apresentar propostas para a prática da bioética em sala de aula, pois educar não é só transmitir conhecimento, mas articular como as questões da bioética poder ser inserida no dia-dia para se ter uma sociedade mais reflexiva e humanizada.

“Nós, educadores, estamos passando por um momento de desafio. A Lei, por si só, não se efetiva, precisa de pessoas pensantes, incorporar a Lei para que nos tornemos multiplicadores de valores e incentivos”, declara a pedagoga.

 
 

 
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