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O Curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário São Camilo-SP está comemorando a premiação da aluna Bárbara Celeste Messa, 21 anos, no 7º Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT). O projeto da estudante conquistou o 2º lugar na área de Ciências da Vida.
Bárbara está cursando o 7º semestre do curso e é bolsista do Instituto de Botânica de São Paulo (IBt). A futura bióloga desenvolveu o projeto Alterações fisiológicas e metabólicas em plantas de Arabidopsis thaliana L. com baixa atividade de nitrato redutase em resposta a altas concentrações de CO2 atmosférico, com a orientação da Profa. Dra. Marília Gaspar do IBt.
“Foi por meio da São Camilo que eu aprendi as bases para o desenvolvimento do meu projeto”, declara Bárbara.
A aluna desenvolveu o trabalho na Seção de Fisiologia e Bioquímica do IBt no período de agosto de 2008 a julho de 2009. Desde o mês de agosto de 2009 está dando continuidade ao trabalho, mas agora com a parte molecular: “O novo projeto irá até julho de 2010. É uma continuação e tem como título Alterações transcricionais mediadas por altas concentrações de CO2 atmosférico em plantas de Arabidopsis thaliana L. com alta e baixa atividade de nitrato redutase”, explica.
Bárbara reconhece a importância da São Camilo na sua formação profissional e também da Profa. Marília que a orientou durante o projeto: “Quando acontece alguma coisa de errado na experimentação, aparece pulgão, faz frio no dia do experimento, entre tantas outras coisas que já aconteceram, ela nunca me deixou desanimar e sempre confiou em mim”, relata.
Ela conta que ficou extremamente contente com a premiação e que ainda sente uma sensação estranha porque, mesmo já tendo ido até Brasília para receber o prêmio, disse que a “ficha” ainda não caiu. “Fiquei super feliz e emocionada durante a premiação. Tenho consciência de que meu trabalho é muito bonito, mas nunca imaginei que chegaria a essas proporções”, conta a estudante que tem a expectativa de fazer mestrado no IBt com a orientadora do projeto.
A futura bióloga relata que sempre gostou muito da parte de genética, de ecologia e mudanças climáticas. “No início da faculdade não conseguia imaginar a união dessas áreas que parecem ser tão distintas, tanto que, quando comecei, queria mesmo era trabalhar com baleias e golfinhos”, disse.
Projeto que ganhou destaque - O trabalho da Bárbara compreende dois tipos de planta de Arabidopsis thaliana L., uma selvagem (WT) e uma mutante para o gene de nitrato redutase (NR), a mutante nia1nia2.
A aluna explica que essa mutação no gene de NR faz com que a planta tenha apenas 0,05% de atividade de NR em relação à planta WT. Em plantas, a principal forma de produção da atividade da NR é o óxido nítrico (NO) que é uma molécula extremamente importante para os seres vivos.Em animais, a produção de NO é a partir de um aminoácido e está relacionada com os processos de transmissão neural, diabetes tipo 1, algumas doenças no miocárdio, entre vários outros. Já nos vegetais, o NO está relacionado com a floração, maturação dos frutos, germinação, complexo estomático, desenvolvimento das raízes, senescência, entre vários outros processos.
“Também há evidências da relação NO e estresses como tolerância a metais pesados, patógenos, e muitos outros; entretanto, ainda não se tem informações do comportamento do NO com o efeito estufa, sendo que um dos principais gases envolvidos é o CO2”, afirma.
Bárbara explica que as plantas foram cultivadas em 380 ppm de CO2, quantidade presente na atmosfera atual, e 760 ppm de CO2, que é o valor esperado para 2100. “Em altas concentrações de CO2, as plantas aumentaram a eficiência fotossintética, a atividade de NR e, na planta mutante, houve também um aumento do teor de aminoácidos que dão origem ao NO, levantando a hipótese de que essa produção está relacionada com o gene do óxido nítrico sintase, que ainda não foi descoberto em plantas”, declara.
A sétima edição do Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica avaliou 104 trabalhos, sendo 31 da área de Ciências Exatas, da Terra e das Engenharias; 36 de Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes; e 37 de Ciências da Vida. Participaram 62 instituições, 52 de ensino superior e 10 institutos de pesquisa. As três primeiras colocações de cada área avaliada foram contempladas pela categoria Bolsista de Iniciação Científica.
Esse evento é um reconhecimento aos trabalhos de destaque realizados por bolsistas da iniciação científica do CNPq e às instituições participantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). |