Fonte: Portal G1
Data da publicação:
07/05/2009

Conheça as opções para quem quer ser mãe, mas não consegue engravidar
Série ‘Seja Mãe em 2010’ mostra os tratamentos contra a infertilidade.
Técnicas permitem que mulheres de 40 anos realizem o sonho de ser mãe.

Em primeiro lugar, vem o estudo. Em segundo, ter um trabalho estável. No meio tempo, encontrar alguém que valha a pena. Enquanto isso, o tempo passa e quando você acha que é hora de ter filhos seu corpo já não colabora mais. Essa história é familiar? Pois é, é algo que tem acontecido com um número cada vez maior de pessoas. Por isso, o G1 traz nesta quinta-feira (6) as opções de tratamento para quem quer comemorar o Dia das Mães em 2010, mas não consegue engravidar.

Antes disso, vamos explicar: como saber se você tem um problema para ter filhos? Qual a hora de procurar o médico? O especialista em tratamentos de infertilidade Renato Fraietta esclarece: “A gente considera que um casal pode ter problemas de fertilidade se está tentando engravidar há mais de um ano, com relações sexuais frequentes e bem distribuídas ao longo do ciclo menstrual da mulher e não consegue”.

No entanto, os casais podem pedir orientação antes desse período. “Se eles estão preocupados ou sabem de algum fator de risco, é claro que podem ir ao médico antes”, diz Fraietta, que trabalha na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Foi o que aconteceu com a carioca Camila Prado*, de 25 anos. Casada há quatro anos, ela tentava engravidar havia seis meses quando foi pedir a ajuda de sua ginecologista, que pediu uma série de exames para avaliar a fertilidade dela e do marido.

Esse é realmente o primeiro passo. E, ao contrário do que muitos pensam, a infertilidade não é mais comum nas mulheres do que nos homens. “É uma doença bem democrática. Os dois contribuem de forma igual para os casos. Em 30% dos casais com problemas, a causa está na mulher. Em outros 30%, no homem. E em 40% dos casos os dois têm algum fator”, afirma Fraietta. “Ela tem um probleminha, ele tem um probleminha e esses dois probleminhas juntos viram um problemão”, conta.

No homem, a causa mais comum é a varicocele, uma doença que faz surgir varizes nos testículos e reduz a qualidade do esperma. Esse problema responde por um terço dos casos de infertilidade masculina primária (aquela que ocorre no homem que nunca teve filhos) e por 80% dos casos de infertilidade secundária (a de quem já teve pelo menos um filho). Ela pode ser consertada com um procedimento cirúrgico relativamente simples. Doenças genéticas e congênitas também afetam a fertilidade masculina.

Entre as mulheres, são três as causas básicas de infertilidade. “Problemas na ovulação respondem por 30% dos casos. Outros 30% são de doenças nas trompas. E a endometriose é a causa de mais 30% dos problemas”, explica Renato Fraietta. Os 10% restantes são de doenças genéticas ou problemas hormonais. 

Mas o maior problema mesmo para as mulheres é a idade. Embora a vida moderna tenha forçado mulheres a deixar a gravidez para mais tarde, o organismo delas ainda funciona como o de suas avós.

Para ele, a idade ideal para ter filhos é dos 16 aos 23 anos. A partir daí começa o declínio. Aos 30 anos, as chances de engravidar naturalmente são de pouco mais da metade da que existia aos 20 anos. A partir dos 40 anos, o declínio é vertiginoso. Aos 40, a mulher tem menos de 5% de chances de ter uma gravidez naturalmente e esse número despenca ano após ano.

“A vida moderna é incompatível com a vida biológica. A maioria das mulheres que buscam tratamento para infertilidade não teriam problema nenhum se tivessem tentado engravidar mais cedo”, diz o médico.

Camila Prado acredita que as mulheres acabam deixando a maternidade para mais tarde também por desinformação a respeito das chances de engravidar. Com isso, fica difícil aceitar quando se quer engravidar e não consegue. “A vida inteira achamos que qualquer espirro fora do lugar, qualquer contato físico com o parceiro pode dar início a uma gravidez. Mas se alguém tivesse me dito que é normalíssimo um casal saudável demorar até um ano pra engravidar, eu estaria melhor preparada psicologicamente para lidar com os meses de insucesso”, afirma ela. 

Investigação
Para identificar exatamente onde está a dificuldade tanto o homem quanto a mulher têm que passar por uma consulta médica e exames. Se um dos dois fuma, o primeiro passo é abandonar o cigarro. “O fumo tem um papel importante na infertilidade tanto masculina quanto feminina, assim como o álcool, as drogas ilícitas e muitos remédios”, diz o médico.

O especialista também vai levantar o histórico médico do casal e de seus familiares. Algumas doenças, principalmente as sexualmente transmissíveis, afetam a fertilidade.

Camila está passando por esses exames neste mês. “A médica pediu que o meu marido fizesse o espermograma (que verifica a contagem e a velocidade dos espermatozóides) e que eu fizesse uma videohisteroscopia (uma espécie de filmagem por dentro do útero) e uma ressonância magnética da pélvis. Se estiver tudo ok, precisarei ainda fazer um exame que verifica se as trompas tem algum tipo de obstrução”, conta ela.

A administradora Elane Pereira, de 32 anos, também passa por esses exames. Em seu segundo casamento há dez meses, ela quer realizar o sonho de ter um filho desde seu primeiro matrimônio. “No segundo ano de casamento, decidimos tirar o DIU [Dispositivo Intra-Uterino, um contraceptivo colocado dentro do útero] para tentarmos um bebê, mas não aconteceu. Enfim, terminamos, mas não pensei em fazer tratamento. Agora, no meu segundo casamento, resolvi investigar a causa”, conta Elane. 

Tratamento 
Para resolver a infertilidade, há muitos caminhos. Se o problema for cigarro, drogas, álcool ou remédios, a saída é simples. Geralmente, só se livrar do hábito recupera a fertilidade. Em casos de doenças como a varicocele e a endometriose, uma cirurgia conserta o problema (em casos mais brandos de endometriose pode ser usada apenas uma medicação).

Mas nos casos em que a causa da infertilidade não é descoberta ou naqueles em que ela é causada pela idade da mulher, o casal pode optar por um tratamento mais complexo: a inseminação artificial ou a fertilização in vitro. E, ao contrário do que muita gente pensa, eles não são a mesma coisa.

Na inseminação artificial, os médicos estimulam a ovulação na mulher com remédios, colhem o esperma do homem, selecionam os melhores espermatozóides e os implantam no colo do útero. É uma técnica bastante usada quando o casal não apresenta nenhuma doença ou causa de infertilidade aparente.

A inseminação é mais simples e mais barata que a fertilização in vitro. Também é indolor. Os espermatozóides são introduzidos com a ajuda de um cateter. Para ter sucesso, no entanto, o homem precisa de pelo menos um testículo saudável e a mulher de ao menos uma trompa em boas condições.

A fertilização in vitro é um método mais complexo e mais caro, mas também têm mais taxas de sucesso. Nela, a fecundação é feita em laboratório. Em vez do esperma, é o próprio embrião (muitas vezes, mais de um) que é implantado no útero da mulher. Com isso, uma mulher de 40 anos chega a ter 20% de chances de engravidar (a mesma de uma mulher de 20 anos naturalmente).

Segundo Fraietta, em clínicas particulares de São Paulo, a fertilização in vitro pode custar de R$ 14 mil a R$ 50 mil por tentativa (geralmente são necessárias pelo menos duas ou três). A inseminação é mais em conta: de R$ 5 mil a R$ 10 mil por tentativa.

As duas formas também são usadas por pessoas com problemas que vão muito além da infertilidade. Por exemplo, casais que querem ter filhos, mas onde um dos parceiros é HIV positivo (lembrando que a medicina hoje consegue evitar o contágio do bebê pela mãe no nascimento). Além disso, essas técnicas também beneficiam pessoas com deficiências físicas – por exemplo, aquelas que perderam a mobilidade dos membros inferiores.

Para quem luta pelo sonho de ser mãe, qualquer sacrifico parece ser válido. “Eu quero ser para o meu filho o que minha mãe é pra mim. Ser mãe representa a plenitude, com responsábilidade de estar colocando no mundo uma pessoa especial, ou seja, um pedaço de mim”, afirma Elane. “Não me lembro se algum dia passou pela minha cabeça não ser mãe. Sempre foi um objetivo de vida, uma certeza. Me sinto incompleta pelo fato de ainda não ter ao meu lado o meu filho (ou os meus filhos). Ser mãe será o ápice da minha vida”, diz Camila.

 
 

 
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