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Fonte: Jornal São Camilo Educação
Data da publicação: 23/03/09

Ex-aluna de enfermagem realiza intercâmbio na Itália

Durante a graduação, a estudante sempre buscou o conhecimento e as oportunidades

 

A paixão e a curiosidade pela profissão foram dois fatores que motivaram a ex-aluna camiliana Ingrid Oliver, 25 anos, durante os quatros anos de graduação. Em dezembro de 2004, concluiu o Curso de Enfermagem no Centro Universitário São Camilo São Paulo, na primeira turma do curso, no período noturno, do Campus Pompéia. Dois anos depois, Ingrid fez a pós-graduação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), área com que mais se identificou durante a graduação.

Há noves meses, a enfermeira participa de intercâmbio na Itália, atuando em um hospital de grande porte e de referência na Lombardia, região onde mora. “A oportunidade surgiu através de uma empresa italiana de recrutamento de seleção, Obietitvo Lavoro do Brasil, que também tem uma parceria com a São Camilo. O objetivo da empresa é proporcionar o intercâmbio cultural e profissional de alunos recém-formados para atuarem na Itália”, explica Ingrid.

Em 2007, a ex-aluna camiliana passou por um longo processo de seleção que incluía uma série de provas, entrevistas, tradução de documentos, emissão de cartas no consulado e curso para aprender o idioma italiano.

Na Itália, o enfermeiro recém-formado precisa passar por uma prova para obter o título de enfermeiro e exercer a profissão. Ingrid também passou por essa prova. “Depois que passei por todas essas etapas de contratação, comecei a investir financeiramente. Tive que financiar uma boa parte da documentação e, paralelamente, fiz um curso de italiano com custo baixíssimo. Quando cheguei ao país, o meu italiano estava no nível intermediário”, conta.

Ingrid conta que foi bem recebida na Itália, principalmente no hospital onde trabalha. “Os italianos sabem da necessidade que eles têm de enfermeiros. Eles recebem muito bem o profissional. Basicamente, os italianos se comunicam em dialetos. Então, quando cheguei ao hospital, eles combinaram de não falar em dialetos entre eles para que eu pudesse entender”, relata.

Para a enfermeira, a formação acadêmica contribuiu muito com essa conquista profissional. Afirma que não teve nenhuma dificuldade, a não ser o uso da alta tecnologia italiana. “Cheguei lá tranquilamente e já me colocaram para ‘tocar’ plantão e já fui atuando na área. As primeiras duas semanas com alguém do meu lado para poder aprender o ritmo de trabalho deles. A minha única dificuldade foi aprender a utilizar alguns equipamentos. Mas digo sempre que tenho como base profissional as coisas que aprendi na São Camilo”, conta.

A unidade onde Ingrid atua está lhe proporcionando um grande aprendizado. Ela trabalha na clínica médica do hospital onde ela aprende a lidar com todos os tipos de pacientes e todas as tecnologias que o hospital oferece. “O único problema é que eles não trabalham com a sistematização da assistência da enfermagem, o que acaba ficando um pouco caótico, porque não conseguimos acompanhar a evolução, o tratamento do paciente. Em compensação é um hospital onde tem tudo da melhor qualidade. Não falta nada e se faltar eles acham um absurdo. Então uma coisa acaba compensando a outra”, diz.

A experiência do intercâmbio está sendo maravilhosa para ex-aluna de enfermagem. No dia-a-dia, Ingrid fica pensando como seria interessante se o profissional brasileiro também pudesse trabalhar com a alta tecnologia oferecida na Itália.

“Nesses nove meses, mantenho contato com colegas de faculdade. É bastante interessante porque os meus amigos sempre me perguntam como é trabalhar na Itália. É uma troca de experiências. Mas não é porque a Itália é um país de primeiro mundo que seja boa em tudo, porque o Brasil também tem excelentes profissionais. A capacidade de criatividade, improviso e de raciocínio de um brasileiro é incrível em relação ao italiano, porque eles têm tudo pronto. O brasileiro não, porque precisa trabalhar com o improviso. A enfermagem aqui no Brasil é uma arte. E lá é engraçado porque a gente acaba se destacando nessas situações, pois nem sempre tem tudo, a maioria dos hospitais é público; algumas vezes faltam algumas coisas e, se falta, eles param. É a cultura deles. E eu já falo: ‘E então, como podemos fazer? Mesmo não tendo?’. Essa iniciativa é uma característica típica do brasileiro e essa qualidade falta nos italianos”, afirma.

Segundo Ingrid, no hospital onde atua, a questão da integração da equipe multidisciplinar é muito pequena. “Na Itália há um ‘culto’ ao médico. É ele quem vai decidir tudo pelo paciente. O enfermeiro tem menos autonomia, mas os profissionais têm outros tipos de autonomia e a gente aprende o que o enfermeiro pode e o que não pode fazer. Aqui no Brasil, a equipe multidisciplinar atua de modo mais efetivo. Falo isso do hospital onde trabalho. Não sei se em outros da Itália há essa integração com a equipe médica”, relata.

Ingrid pretende ficar na Itália até concluir o Mestrado de Risco clínico e gestão do paciente. E está tentando pleitear um outro mestrado europeu, em Praga. “Penso depois em seguir para um doutorado, ainda não sei onde. Minha intenção é depois dos estudos voltar ao Brasil para atuar aqui”, conta.

Graduação na São Camilo - Segundo as docentes, Profa. Denise Augusto da Costa Lorencette – Coordenadora do Curso de Enfermagem e Profa. Maria Inês Nunes – Coordenadora Adjunta -, a ex-aluna se destacou muito durante a graduação realizando inúmeros estágios e sendo participativa durante as aulas.

“O que me fez buscar o conhecimento e as oportunidades durante a graduação foram a paixão e a curiosidade. Quando a gente entra na faculdade a gente tem aquela idéia do ‘Eu amo o cuidar, mas o que é o cuidar?’. Então, quanto mais eu pudesse vivenciar  e fazer coisas diferentes, eram essas experiências que eu queria para minha formação. Buscava tudo que eu podia e a São Camilo proporcionava as oportunidades, basta o estudante correr atrás”, afirma.

Ingrid fez estágios em hospitais, todos da rede camiliana, e no Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) onde atuou na área de pesquisa. Também, realizou estágios em hospitais públicos e Unidades Básicas de Saúde.

“Cada lugar tem a sua particularidade e seus pontos fortes. Quando pensei em fazer o Curso de Enfermagem nunca pensei em subir o morro de uma favela, onde você se depara com inúmeras situações e que são realidades que precisamos estar preparados. Quando fui para Macapá, um projeto de que participei na São Camilo durante o curso, eu nunca imaginei trabalhar com saúde pública, não fazia idéia de como funcionava efetivamente. Então, fui descobrir e entender como era um PSF (Programa Saúde da Família) no Macapá, onde funciona mil vezes melhor do que em São Paulo, porque é pequeno e a organização é melhor. Tudo que eu pude fazer através da São Camilo eu fiz. Aproveitei todas as oportunidades que a instituição ofereceu”, conta.

“E quem tiver a condição e a oportunidade de fazer um intercâmbio vale muito a pena. É uma experiência única poder ter a chance de aprender a conviver, a conhecer o trabalho do enfermeiro fora do Brasil”, finaliza.

 
 

 
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