| |
Fonte: Época Saúde & Bem Estar
Data de publicação: 24/09/09
Nova vacina reduz risco de infecção pelo HIV
Um estudo realizado em parceria pelo Exército dos Estados Unidos e por serviços de saúde americanos e tailandeses conseguiu desenvolver uma vacina que apresenta resultados positivos na prevenção da contaminação pelo vírus HIV, o causador da Aids. É a primeira vez que um tratamento obtém sucesso, ainda que parcial, no combate ao vírus.
Os testes clínicos foram realizados pelo Ministério da Saúde da Tailândia com 16,4 mil pessoas com idades entre 18 e 30 anos e que não tinham a doença. Metade do grupo recebeu um placebo (sem efeito) e a outra metade recebeu seis doses de uma vacina que combinava duas vacinas produzidas pelos laboratórios Sanofi-Pasteur e Soluções Globais para Doenças Infecciosas (GSID, na sigla em inglês). Todos as pessoas receberam orientação sobre como se prevenir contra a infecção e foram testados durante três anos. Entre os que receberam o placebo, 74 contraíram o vírus da Aids. No grupo vacinado, apenas 51.
À rede de televisão CNN, o coronel Jerome Kim, responsável do Exército pelo estudo, explicou que a diferença é pequena, mas estatisticamente muito significativa, pois indica que o grupo que recebeu a vacina teve um número de contaminados 31,2% menor que o grupo de controle. Além disso, o estudo serviu para mostrar que a pesquisa de uma vacina contra o HIV, que teve início em 1986, pode dar resultados. “Antes desse estudo, pensava-se que uma vacina para o HIV não era possível”, afirmou Kim.
Apesar de apresentar resultados positivos, o estudo tem alguns problemas, como o fato de não ser possível afirmar se a vacina funcionaria, mesmo parcialmente, fora da Tailândia – já que a vacina tinha como alvo a variante do vírus que circula no país asiático. Para piorar, os cientistas não sabem o motivo que fez a vacina funcionar, já que a primeira foi feita para ajudar o organismo a criar anticorpos, enquanto a segunda foi desenvolvida para alertar os glóbulos brancos sobre a infecção. Em testes separados, essas duas vacinas não funcionaram, mas juntas reduziram parcialmente a possibilidade de infecção.
O coronel Jerome Kim explicou ao jornal The New York Times que os infectados pelo HIV, fossem eles do grupo dos vacinados ou do grupo de controle, tinham a mesma quantidade de carga viral no sangue. Isso é estranho pois geralmente as vacinas – mesmo as que funcionam apenas parcialmente – reduzem a quantidade do vírus nos doentes. Para Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, que participou do estudo, isso pode significar que a vacina não produz anticorpos como as vacinas comuns, mas que atua sobre as células efetoras – um tipo de célula dos glóbulos brancos – atacando o vírus. O que não foi possível descobrir é como uma vacina que alerta os glóbulos brancos não funcionou de forma isolada, mas apresentou resultados positivos quando aplicada em conjunto com uma vacina que estimula a criação de anticorpos.
Ainda que para as pessoas infectadas o estudo não seja tão significativo neste momento, para a comunidade médica ele é bastante importante, pois pode representar um novo início nas pesquisas contra o vírus HIV.
|