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Fonte: Época Saúde & Bem Estar
Data de publicação: 02/12/09

Pacientes internados correm risco de desnutrição

Segundo estudo realizado em 11 Estados brasileiros, 72% dos pacientes não se alimentam corretamente

Mais de dois terços dos pacientes internados em hospitais brasileiros não se alimentam corretamente. Essa é a conclusão do estudo Nutridia, da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SNBPE). A pesquisa, realizada com 824 pacientes em 25 hospitais de 11 Estados do país, comprovou que 72% dos pacientes deixam de ingerir completamente pelo menos uma das três principais refeições diárias. Para mais da metade deles, a refeição rejeitada é o almoço – justamente a que oferece a maior quantidade de nutrientes.

Segundo a gastroenterologista Maria Cristina Gonzalez, coordenadora do estudo, o problema pode agravar a condição dos pacientes: "Além do risco normal de complicações para qualquer paciente internado, eles estão expostos a complicações ligadas à desnutrição", afirma Maria Cristina. 

Contrariando as expectativas de especialistas, tanto os hospitais públicos quanto os privados obtiveram índices igualmente insatisfatórios. O resultado é semelhante ao de testes anteriores, realizados em hospitais europeus. Em média, uma semana de internação já é o bastante para que o paciente perca peso e comece a apresentar sintomas de desnutrição. 

Entre os motivos citados para a rejeição aos alimentos estão a falta de apetite (37,2% dos pacientes) e a realização de exames ou cirurgias no horário das refeições (9,6%). O sabor desagradável da comida foi lembrado por 10,2% dos pacientes.

Para o gastroenterologista José Vicente Spolidoro, presidente da SBNPE, o estudo indica que é necessário melhorar a apresentação dos alimentos nos hospitais. "Normalmente, os pacientes já estão sem apetite por causa da condição em que se encontram, então precisam de um estímulo a mais”, diz. "Se eles não gostarem da comida, aí é que não vão comer mesmo".

Além de melhorar a aparência e o gosto dos alimentos, um procedimento eficiente para combater a desnutrição seria pesar os pacientes com mais frequência e controlar a ingestão das refeições. "Ninguém se esquece de verificar a pressão ou a temperatura do paciente. A alimentação também tem que ser avaliada todo dia", diz Maria Cristina. 

Para quem tem amigos ou familiares internados em hospitais, a recomendação é verificar se o paciente está se alimentando bem e alertar os médicos caso isso não ocorra. "É preciso perceber que deixar de se alimentar normalmente não faz parte do quadro da doença, ao contrário do que muitos pensam", afirma Maria Cristina. Com o diagnóstico precoce do problema, podem ser adotadas medidas para evitar a desnutrição, como mudanças no cardápio, uso de suplementos alimentares e alimentação por sonda.

 

 

 


 
 

 
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