Fonte: UOL
Data de publicação: 14/07/10
Um terço dos cachorros-quentes vendidos em São Paulo estão contaminados
Trinta e três por cento dos cachorros-quentes vendidos nas ruas de São Paulo apresentam bactérias que podem causar intoxicações ou infecções alimentares. A constatação é da Proteste Associação de Consumidores, que fez uma análise em parceria com a Coordenação de Vigilância em Saúde do Município de São Paulo (Covisa).
Foram verificadas as condições de higiene de 30 "dogueiros" que vendem lanches em veículos, em dez bairros da capital. Os vendedores que não apresentaram boas condições de higiene nos pontos serão convocados para um curso de boas práticas.
Os produtos reprovados na análise tinham contaminação por coliformes fecais e outras bactérias capazes de causar vômitos, diarreia, dores abdominais e febre.
Foram realizadas coletas de 30 amostras de cachorro quente (entre janeiro e março últimos) para análise microbiológica, além de aplicação de questionário para avaliação das condições higiênico-sanitárias das instalações do veículo utilizado para a comercialização dos respectivos cachorros quentes e obtenção de informações sobre as práticas de preparação e conservação dos alimentos.
Das 30 amostras analisadas , oito (27%) estavam em desconformidade com a legislação, o que as tornam impróprias para o consumo. E outras duas (7%) apesar de não estarem em desconformidade com a lei, apresentavam micro-organismos capazes de causar doenças. No total, portanto, 33% dos produtos tinham bactérias patogênicas.
Cerca de 57% dos dogueiros pesquisados tinham pelo menos um manipulador de alimentos formado pelo curso de Boas Práticas de Manipulação de Alimentos ministrado pelas unidades de Supervisão e Vigilância em Saúde (Suvis). No entanto, os resultados indicaram que:
- seis deles forneceram cachorros-quentes contaminados;
- 73% utilizam pano de prato para secagem de mãos e utensílios;
- 7% utilizam maionese caseira;
- apenas 34% dos dogueiros mantêm a temperatura correta dos alimentos;
- apenas 17% oferecem molhos e temperos em recipientes fechados, identificados e protegidos dos riscos de contaminação;
- nenhum dos dogueiros utiliza cestos de lixo com tampa acionada por pedais. Isso é mais um foco de contaminação, pois o manipulador pode abrir a lixeira e manipular o alimento em seguida;
- 50% possuem pia com água corrente tratada.
Fique atento
O consumidor precisa ficar atento aos lanches vendidos por trailers. Utensílios, superfícies e equipamentos insuficientemente limpos representam um risco de contaminação, especialmente para alimentos cozidos que não serão consumidos imediatamente.
Os alimentos podem ser facilmente contaminados com microrganismos patogênicos, devido as condições inadequadas do local de preparo e conservação do produto, e a falta de conhecimentos de técnicas de manipulação higiênica por parte dos comerciantes. Além disso, a maioria dos estabelecimentos de comércio ambulante não conta com sistema de abastecimento de água tratada, o que dificulta a higienização correta dos utensílios utilizados no preparo das refeições.
Veja quais procedimentos e atitudes simples dos comerciantes de cachorros-quentes previnem a contaminação do alimento:
- observe a apresentação e comportamento do atendente: ele não deve manipular alimentos e dinheiro ao mesmo tempo;
- molhos e condimentos (como catchup e maionese) devem ser oferecidos em sachê ou em embalagens fechadas e etiquetadas, mantidas sob refrigeração;
- a salsicha deve estar armazenada em alta temperatura (acima de 65ºC) e não em temperatura ambiente;
- acompanhamentos como milho, ervilha, queijo ralado, purê de batata, molho vinagrete devem estar refrigerados;
- não deve haver caixas de madeira ou de papelão na área de manipulação;
- o atendente deve ter unhas curtas e limpas; barba feita ou aparada, não deve tossir, espirrar ou falar em cima dos alimentos;
- o atendente deve usar luvas, que devem ser trocadas após trocar de função - como preparar o cachorro-quente e pegar uma lata de bebida logo em seguida, por exemplo. Também devem usar toucas para evitar que caia cabelo nos alimentos;
- o vendedor também devem usar toalha de papel, no lugar de pano de prato para secar utensílios;
- a lixeira deve ter tampa e acionamento por pedal.
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