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Os desafios da longevidade
Leo Pessini Maria Auxiliadora Cursino Ferrari Matheus Papaléo Netto
A longevidade sempre foi e ainda é a grande aspiração de todo ser humano. É um assunto tão velho e tão antigo quanto a humanidade, sendo discutido por estudiosos, teólogos, filósofos, profissionais da saúde, enfim por todos os que se preocupam com a vida do ser humano. Associada à longevidade emerge o envelhecimento populacional trazendo sérios desafios que incluem não só questões sociais, econômicas, políticas e de saúde, como também psicológicas, filosóficas, bioéticas e espirituais.
A longevidade não pode entretanto, ser pensada ligada apenas ao número de anos atingido pelas pessoas, pois não se pode dissociá-la de questões como autonomia, vulnerabilidade e a busca do sentido da vida.
Longevidade, finitude e velhice são termos bastante interligados, porém não totalmente explicados pela ciência. As pessoas não almejam só a longevidade, o ser humano deseja muito mais, questiona e busca outras respostas para o que se constitui em profundos desafios relacionados à longevidade.
Quanto mais longevo o ser humano mais probabilidade tem de adquirir doenças que comprometem a sua independência e a autonomia, levando-o ao sofrimento físico, mental, social e emocional,pois o ser humano continuará envelhecendo, adoecendo e morrendo.
Reportando-nos à longevidade alcançada hoje é notadamente visível que não existe eqüidade entre essa longevidade e as condições necessárias para mantê-la com qualidade de vida; nem sequer temos a certeza do que é qualidade de vida para cada ser humano nessa fase de sua existência.
Esta edição traz, entre outros, os desafios sociais e econômicos apontando o envelhecimento incidindo na saúde, nas condições de vida, na condição da família, no crescimento econômico, no consumo, no mercado de trabalho e outros destacando como desafios a serem enfrentados, a discriminação contra as pessoas por serem idosas, a velhice como doença, deixando clara a necessidade de que o sistema de saúde e a seguridade social se planejem e busquem estratégias para que esta longevidade tão desejada seja uma realidade.
Atender aos desafios sociais, econômicos, políticos é uma das etapas, mas a ela seguem-se, se não paralelamente, o estabelecimento de estratégias, de medidas que: favoreçam o respeito aos direitos do idoso por se encontrar em situação de vulnerabilidade; respeitem o nível de sua autonomia face às situações de diminuição de suas capacidades; mantenham eqüidade na distribuição dos recursos e cuidados que lhe são necessários; repensem o valor e o significado do tratamento paliativo, quando lhe é dado;criem um suporte social eficiente associado a uma expressiva demanda existente.
Se a idade progride, aumenta o número de doenças com probabilidade de internação e a autonomia declina. Será que reduzindo a morbidade e a incapacidade conseguiremos uma vulnerabilidade menor para o ser humano que envelhece? E sua autonomia poderá ser mantida? São estes e muitos outros os desafios da longevidade. Muito já se fez para aqui chegarmos, mas ainda há muito o que fazer.
O importante é refletirmos sobre a questão: vida e morte são contingências corpóreas físicas e fazem parte do ser humano enquanto vulnerável, mas este mesmo ser humano idoso é uma realidade histórica, ele é o que construiu com suas vivências, com os eventos que se sucederam em sua vida, e isto responde em parte seus anseios, seu sonho pela imortalidade,uma vez que suas ações, gestos e palavras ficarão para sempre. Mas, esta construção se faz no dia a dia e ao longo da vida para que se tenha a consciência na velhice de que tudo foi realizado e não se fique lamentando de que não há mais tempo para realizar.
Para desenvolver a temática em questão, renomados especialistas, muitos destes de reconhecimento internacional, contribuem incisivamente em diferentes aspectos com a apresentação de recentes pesquisas na área, ao mesmo tempo que despertam-nos a reflexões que suscitam reformulações conceituais e até mesmo, valorativas neste campo de estudo.
Os atuais questionamentos vinculadas aos Desafios da Longevidade, que esta edição de O Mundo da Saúde destaca, incorporam categorias de estudo como: políticas e envelhecimento e saúde no mundo; qualidade de vida e educação, nutrição, enfermagem,terapia ocupacional, bioética e a contribuição de outras áreas; impactos e perspectivas em Gerontologia e Cuidados Paliativos, assistência ao idoso institucionalizado; direitos do idoso e negligências; a relação do idoso com a família e a sociedade; a visão e a experiência do cuidador, dentre outras.
Finaliza-se a presente edição, com Estudo de caso da seção Bioética: e agora o que fazer? coordenado pelo Prof. Dr. William Saad Hossne. Como Anexo apresentamos os Resumos do 18º Congresso Mundial de Gerontologia que contou com a participação de vários docentes e pesquisadores do Núcleo de Gerontologia do Centro Universitário São Camilo. Fecha-se esta publicação com o Índice anual 2005 de autor, título e assunto dos artigos publicados.
A todos os colaboradores desta edição expressamos nossos agradecimentos pela preciosa colaboração.
The challenges of longevity
Leo Pessini Maria Auxiliadora Cursino Ferrari Matheus Papaléo Netto
Longevity has always been and still is the great aspiration of all human beings. It is a subject as old and ancient as humanity, and it is discussed by researchers, theologians, philosophers, health professionals and in fact by all ones who worry about the life of the human being. Associated to longevity, population aging emerges and it brings serious challenges that not only include social, economic, politics and health subject-matters, but also psychological, philosophical, bioethical and spiritual ones.
Longevity cannot however be thought only regarding its links to the number of years of life people can reach, because that are questions that cannot be dissociated from it: autonomy, vulnerability and the search of the sense of life.
Longevity, finitude and oldness are terms so linked among themselves, but still not totally explained by science. People do not long only for longevity; human beings desire much more, questioning and searching for other answers to something which constitutes deep challenges related to longevity.
The older human beings are the greater the probability to be affected by illnesses that compromise their independence and autonomy, bringing with them physical, mental, social and emotional suffering, and therefore human beings continue to age, become ill and dying.
As regards longevity in their present expressions, it is very remarkable the nonexistence of fairness between this longevity and the conditions necessary for having also quality of life; and we not even do we know with certainty what quality of life means for each human being in this phase of her existence.
This issue brings, among others, the social and economic challenges pointing to aging in its relations to health, the life conditions, the condition of the family, the economic growth, consumption, the labor market and others, emphasizing as challenges to be faced discrimination against people for being old, the oldness as illness, making clear the necessity of the health system and social security to plan and search for strategies so that this longevity so desired be a reality.
To give attention to the social, economic, political challenges is one of the stages, but to it follows, or maybe goes in the same time, the establishment of strategies, of measures that favor the respect to the rights of old people because of their situation of vulnerability; that respect their level of autonomy before the situations of reduction of capacities; that keep fairness in the distribution of the needed resources and cares; that rethink the value and the meaning of palliative treatments, when this is given them; that create an efficient social support associate to an expressive existing demand.
If age is prolonged, there is an increase n the number of illnesses with internment probability and autonomy declines. Could it be that reducing morbity and incapacity we will attain to a lesser vulnerability for the human being that age? Could their autonomy be kept? These and many others are the challenges of longevity. Much has already been made, but still there is much more to do.
The important thing to do is to reflect on the question: life and death are physical corporal contingencies and are part of the vulnerable human being, but it is just this aged human being that constitutes a historical reality, this being is what she constructed by means of her experiences, with the events that had occurred in her life, and this answers partially to her yearnings, her dream of immortality, for her actions, gestures and words will exist forever. But this construction is made day by day and in the course of life so that one has in old age the conscience that everything was carried through and avoids lamenting the fact that there is no more time to do things.
To develop the theme in question, famous specialists, many of them internationally recognized, contribute incisively in different aspects with the presentation of recent research in the area, at the same time that awaken in us reflections that excite conceptual and even evaluative reformulations in this field of study.
The current questionings linked to the Challenges of Longevity that this issue of O Mundo da Saúde brings to the fore incorporate categories of study such as: politics of health and aging in the world; quality of life and education, nutrition, nursing, occupational therapy, bioethics and the contribution of other areas; impacts and perspectives in Gerontology and Palliative Care, institutionalized assistance to old people; old people rights and negligence; the relation of old people with the family and the society; the vision and the experience of the carer, amongst others.
The present issue also presents a Case Study section, ?Bioethics: what are we to do now??, coordinated by William Saad Hossne, Ph. D. As an Appendix we present the Abstracts of the 18 World Congress of Gerontology that had the participation of some professors and researchers of the Nucleus of Gerontology of University Center São Camilo [Centro Universitário São Camilo]. This issue brings also the Annual Index 2005, with entries for author, title and subject of published articles.
To all the collaborators of this issue we express our gratefulness for the precious contribution.
Los desafios de la longevidad
Leo Pessini Maria Auxiliadora Cursino Ferrari Matheus Papaléo Netto
La longevidad ha sido siempre y sigue siendo la gran aspiración de todos los seres humanos. Es un tema tan viejo y antiguo como la humanidad, y es discutido por investigadores, teólogos, filósofos, profesionales de salud y en hecho por todos los que se preocupan de la vida del ser humano. Asociado a la longevidad, el envejecimiento de la población emerge y trae desafíos serios que no solamente incluyen aspectos sociales, económicos, políticos y de salud, pero también sicológico, filosófico, bioéticos y espirituales. A la longevidad no se puede sin embargo pensar solamente con respecto a sus acoplamientos al número de años de vida que la gente puede alcanzar, porque hay preguntas que no se pueden disociar de ella: la autonomía, la vulnerabilidad y la búsqueda del sentido de la vida.
Longevidad, finitud y envejecimiento son términos ligados entre ellos, pero todavía no explicados totalmente por la ciencia. La gente no desea solamente longevidad; los seres humanos desean mucho más, cuestionan y buscan otras respuestas, algo que constituye desafíos profundos relacionados con la longevidad.
Cuanto mayor la vejez de los seres humanos, tanto más la probabilidad que sean afectados por enfermedades que comprometen su independencia y autonomía, trayendo con ellas sufrimientos mentales, sociales y emocionales, y por lo tanto los seres humanos continúan a envejecer, a ser afectados por enfermedades y a morir.
En lo que concierne la longevidad en sus actuales expresiones, es muy notable la inexistencia de una justa correlación entre esta longevidad y las condiciones necesarias para haber también calidad de vida; y nosotros siquiera sabemos con certeza qué significa calidad de vida para cada uno de los seres humanos en esta fase de su existencia.
Esta edición trae, entre otros, los desafíos sociales y económicos que señalan al envejecer en sus relaciones a la salud, las condiciones de la vida, la condición de la familia, el desarrollo económico, el consumo, el mercado de trabajo y otros, acentuando como desafíos la discriminación contra la gente por su condición de viejo, la vejez como enfermedad, lo que muestra con clareza la necesidad de el sistema de la salud y la Seguridad Social planearen y buscaren las estrategias que hagan esa tan deseada longevidad una realidad.
La atención a los desafíos sociales, económicos, políticos son una de las etapas, pero a él se sigue, o quizás ocurre al mismo tiempo, el establecimiento de estrategias, de medidas que favorezcan el respecto a los derechos de los envejecidos debido a su situación de vulnerabilidad; el respecto a su nivel de autonomía antes las situaciones de reducción de capacidades; la manutención de la justeza en la distribución de los recursos y de los cuidados necesarios; el repensar del valor y del significado de tratamientos paliativos, cuando estos les son dados; la creación de un eficiente sistema social de atención a una expresiva demanda existente.
Si se prolonga la edad, hay un aumento en el número de enfermedades con probabilidad de internación y la autonomía declina. ¿Podría ser que reduciendo la morbidez e la incapacidad lograremos a reducir la vulnerabilidad de los seres humanos que envejecen? ¿Podría su autonomía ser guardada? Éstos y muchos otros son los desafíos de la longevidad. Mucho se ha hecho ya, pero hay mucho más a hacer.
La cosa importante a hacer es reflejar en la pregunta: ¿la vida y la muerte son contingencias corporales físicas y son parte del humano vulnerable, pero es justo este ser humano envejecido que constituye una realidad histórica, este ser es el que el envejecido construyó mediante sus experiencias, los acontecimientos que han ocurrido en su vida, y esto responde parcialmente a sus deseos vivos, a su sueño de inmortalidad, porque sus acciones, sus gestos y sus palabras existirán por siempre. Pero esta construcción se hace día por día y en el curso de la vida de modo que uno tenga en la vejez la conciencia de que todo se ha hecho y evite de lamentar del hecho de que no hay mas tiempo para hacer cosas.
Para desarrollar el tema en discusión, especialistas famosos, muchos de ellos internacionalmente reconocidos, contribuyen incisivamente en diversos aspectos con la presentación de investigaciones recientes en el área, a la vez que despiertan en nosotros reflexiones que excitan reformulaciones conceptuales e incluso valorativas en este campo de estudio.
Los cuestionamientos actuales ligados a Los Desafíos de la Longevidad que esta edición de O Mundo da Saúde trae a la delantera incorpora categorías de estudio como lo son: las políticas de la salud y del envejecimiento en el mundo; calidad de vida y educación, nutrición, cuidados de enfermería, terapia ocupacional, bioética y la contribución de otras áreas; impactos y perspectivas en Gerontología y cuidados paliativos, ayuda institucionalizada a los envejecidos; los derechos de los envejecidos y la negligencia de la vieja gente; la relación de los envejecidos con la familia y la sociedad; la visión y la experiencia del cuidador, entre otros.
La actual edición también presenta una sección de Estudio de Caso, ?Bioética: ¿que hacer ahora??, coordinado por William Saad Hossne, Ph. D., e como Apéndice presentamos los resúmenes del 18° Congreso Mundial de Gerontología, que contó con la participación de algunos profesores e investigadores del núcleo de Gerontología del Centro Universitario São Camilo. Esta edición trae también el Índice Anual 2005, con entradas para autor, título y tema de artículos publicados.
A todos los colaboradores de esta edición presentamos nuestro agradecimiento por su preciosa contribución. |