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EDUCAÇÃO FÍSICA, ESPORTE E SAÚDE
Leo Pessini
Ubiratan Silva Alves
Próximo ao final do século passado, quando os estudos feitos em grandes empresas apontaram que os afastamentos dos colaboradores por motivos de saúde eram amenizados quando, além de outros benefícios, os colaboradores praticavam algum tipo de atividade física, os profissionais desta área passaram a perceber quanto seria importante uma intervenção eficiente. Neste sentido, tal qual o tema desta revista, Educação Física, Esporte e Saúde, são assuntos que costumam estar interligados.
A Educação Física no Brasil remonta seus primórdios no Brasil Império, quando, em 1851, a Lei n.º 630 incluiu a ginástica nos currículos escolares. Rui Barbosa preconizava a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias e secundárias com prática de quatro vezes por semana, durante 30 minutos cada. No entanto, somente no período republicano é que se iniciou a profissionalização da Educação Física. Em relação às políticas públicas, até os anos 60, o processo ficou limitado ao desenvolvimento das estruturas organizacionais e administrativas específicas, tais como: Divisão de Educação Física e o Conselho Nacional de Desportos. Nos anos 70, na ditadura militar, a Educação Física foi concebida não para fins educativos, mas como instrumento a favor do governo, de modo que os diversos ramos e níveis de ensino se voltaram para os esportes de alto rendimento. A chamada crise da Educação Física aconteceu nos anos 80, quando se buscou retomar os propósitos desta área e direcioná-los à sociedade. No esporte de alto rendimento, a mudança nas estruturas de poder e os incentivos fiscais deram origem aos patrocínios, tendo como decorrência a contratação, por parte de empresas, de “atletas funcionários”, com o fim de criar novas gerações de esportistas. Nos anos 90, o esporte passou a ser visto como meio de promoção à saúde, acessível a todos, manifestado de três formas: esporte educação, esporte participação e esporte performance.
A primeira vertente propõe uma prática esportiva voltada para a aquisição de conceitos educacionais, como cooperação, sociabilização, respeito, auto-controle, além de contribuir, principalmente, no ambiente escolar, na formação de um cidadão mais consciente e comprometido. Em se tratando da linha do esporte participativo, esta prática está voltada para a recreação e para o lazer. Podendo ser também utilizada em ambiente escolar, esta prática sinaliza para uma ação voltada à satisfação e ao prazer, atuação “sem compromisso” com resultados ou rigidez de regras. Já no item de performance, o esporte é eletivo, ou seja, não são todos os indivíduos que podem ser atletas (pelo menos da modalidade que desejariam ser), uma vez que são exigidas específicas características físicas, sociais e cognitivas que o encaminhem para o sucesso nesta vertente.
A Educação Física enveredou para sua regulamentação de fato e de direito com a criação do CONFEF: Conselho Federal de Educação Física, pela Lei nº 9696/98. Este conselho é uma entidade civil sem fins lucrativos, com sede e foro na cidade do Rio de Janeiro, destinada a orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício das atividades próprias dos profissionais de Educação Física. Nos dias de hoje, então, a prática das atividades físicas, sejam elas na Educação Física ou no Esporte, exigem um profissional habilitado para sua condução e intervenção. Aliadas à orientação por um profissional habilitado de Educação Física, as práticas esportivas traz como principal benefício para o ser humano a promoção de sua saúde, considerada o maior bem de que um indivíduo pode dispor na sua vida.
Todo indivíduo pode fazer uso de atividades físicas com fins de saúde, independentemente de suas condições físicas, econômicas, morais, sociais, culturais, religiosas e étnicas. O que é imprescindível nesta opção pela prática é a adequação dos espaços, locais, vestimentas, alimentação para que a atua-ção se torne, além de prazerosa, benéfica.
O significado e a compreensão de “saúde” tem sofrido, sobretudo nas últimas décadas, alterações de concepções e abrangência, de tal modo que o que se enfatiza hoje é saúde como um “estado” de bem-estar, o que pressupõe ser um processo em relação à sua manutenção e prevenção. Neste contexto, a relação atividade física e saúde vem sendo gradualmente considerada também pelo enfoque da “qualidade de vida”, implicando, desta forma, o re-dimensionar a prática esportiva sob novos olhares, a partir do questionamento e da conscientização da complexidade das ações humanas.
A presente edição de O Mundo da Saúde nos brinda com temas intrigantes, que nos levam a importantes reflexões sobre a prática esportiva, como: sedentarismo, anabolizantes, pesquisas de campo associadas ao treinamento, desvios posturais, nutrição, prática docente, entre outras. Nesta oportunidade, manifestamos nossos agradecimentos a todos os colaboradores desta edição, que acreditam na possibilidade do ser humano para a promoção de uma sociedade mais feliz e saudável.
PHYSICAL EDUCATION, SPORT AND HEALTH
Leo Pessini
Ubiratan Silva Alves
Next to the end of the Twentieth century, when studies done in big companies pointed out that the rates of collaborators sickness absenteeism were greatly reduced when, besides other benefits, employees practiced some kind of physical activity, the professionals of this area had started to perceive how much an efficient intervention would be important. In this sense, as we capture the matter in this issue title, Physical Education, Sport and Health, these are subjects that are usually linked to one another.
Physical Education in Brazil traces back to Brazil Empire’s period, when, in 1851, Law 630 included gymnastics in school curricula. Rui Barbosa praised the mandatory presence of Physical Education in the primary and secondary schools, practiced four times a week during 30 minutes. However, only in the Republican period would the professionalization of Physical Education to commence. As regards public policies, until the decade of 1960 the process was limited to the development of specific organizational and administrative structures such as: the Division of Physical Education and the National Council of Sports. In the 1970’s, during the military dictatorship, Physical Education was conceived not for educative ends, but as an instrument in favor of the government, in such a way that the different kinds and levels of formal education began to lean toward high-performance sports. The so-called crisis of Physical Education happened in the 1980’s, when people decided to go back to the original goals of this area and to direct them to society well-being. In high-performance sports, the change in power structures and the tax incentives made appear the so-called sponsorships; the result were contracts on the part of companies to have “employee athletes”, aiming to create new generations of sportsmen and sportswomen. In the decade of 1990, sports began to be seen as a means of health promotion, accessible to all, and presented three forms: sport as education, sport as participation and sport as performance.
The first form proposes sport practices directed toward the acquisition of educational concepts, as cooperation, socialization, respect, self-control, besides contributing, mainly in the school environment, to the promotion of a more conscientious and compromised citizen. As concerns the trend of sport as participation, this practices’ goal is recrea-tion and leisure. This practice, also available for being used in the school environment, promotes an action directed to satisfaction and pleasure, an action “not committed” to results or rules rigidity. Sport as performance, by its turn, is voluntary, that is, not is all individuals can be athletes (at least in the modality they would like to be), since this demands specific physical, social and cognitive characteristics focused on success in sports performance.
Later, Physical Education was regulated both in practice and in law with the creation of CONFEF: Federal Council of Physical Education, by Law 9696/98. This Council is a non-profit private entity, with headquarters and forum in the city of Rio de Janeiro, and aims to guide, to discipline and to oversee the exercise of activities proper of professionals of Physical Education. Nowadays, then, the practice of physical activities, be they in Physical Education or in Sports, demand a professional qualified for guiding it and intervening when needed. Allied to instructions given by a qualified professional of Physical Education, sport activities have as their main benefit to human being the promotion of health, considered the greater good an individual can make use of in life.
All individuals can use physical activities for health promotion ends, no matter her physical, economic, moral, social, cultural, religious and ethnic conditions. What is essential in this option for sport practice is the adequacy of spaces, places, clothes, and feeding so that their performance becomes, besides pleasant, beneficial.
The meaning and the understanding of “health” have passed, mainly in the last decades, thought changes of conception and scope, in such a way that what is emphasized today is health as a “state” of well-being, something which implies it is a process regarding health maintenance and disease prevention. In this context, the relationship between physical activity and health comes gradually to be also considered from the perspective of “quality of life”, implying then a re-dimensioning of sport practices under new lenses, from questioning and being aware of the complexity of human beings actions.
This issue of O Mundo da Saúde presents us intriguing themes, which incite us to do important reflections on sport practices: anabolic steroids, sedentarianism, field research on training, postural alterations, nutrition, teaching, among others. We profit from this occasion to acknowledge our gratefulness to all collaborators of this issue, who believe in the possibility of human beings to promote a happier and healthful society.
EDUCACIÓN FÍSICA, DEPORTE E SALUD
Leo Pessini
Ubiratan Silva Alves
Prójimo del final del siglo veinte, cuando estudios hechos en grandes compañías mostraran que los índices de ausencia de los colaboradores en el trabajo a causa de enfermedades se reducen grandemente cuando, además de otras ventajas, los empleados practican alguna clase de actividad física, profesionales de esta área comenzaran a percibir cuánto sería importante una intervención eficiente. En este sentido, como capturamos en el título de esta edición, Educación Física, Deporte y Salud, éstos son temas que generalmente se ligan unos a los otros.
La Educación Física en el Brasil remonta al período del Imperio del Brasil, cuando, en 1851, la Ley 630 incluyó la gimnástica en los planes de currículos escolares. Rui Barbosa elogió la presencia obligatoria de la educación física en las escuelas primarias y secundarias, practicada cuatro veces a la semana durante 30 minutos. Sin embargo, solamente en el período republicano la profesionalización de la educación física comenzaría. En lo que concierne a políticas públicas, hasta la década de 1960 el proceso fue limitado al desarrollo de estructuras de organización y administración específicas, por ejemplo: la División de la Educación Física y el Consejo Nacional de Deportes. En los años 70, durante la dictadura militar, la educación física fue concebida no para fines educativos, sino como un instrumento en favor del gobierno, de manera tal que los diversos niveles e clases de la enseñanza convencional comenzaran a inclinarse hacia deportes de alto rendimiento. La llamada crisis de la educación física sucedió en los años 80, cuando la gente decidió recuperar las metas originales de esta área y dirigirlas al bienestar de la sociedad. En deportes de alto rendimiento, el cambio en las estructuras del poder y los incentivos fiscales han hecho aparecen los llamados patrocinios; el resultado fueran contratos de parte de las compañías para tener “atletas-empleados”, buscando crear nuevas generaciones de deportistas. En la década de 1990, los deportes comenzaron a ser considerados como medios para la promoción de la salud, accesibles a todos, y pasan a ser presentados de tres formas: el deporte como educación, el deporte como participación y el deporte como desempeño.
La primera forma propone prácticas del deporte dirigidas hacia la adquisición de conceptos educativos, como cooperación, socialización, respecto, autodominio, además de contribuir, principalmente en el ambiente de la escuela, a la promoción de un ciudadano más concienzudo y comprometido. En cuanto a la tendencia del deporte como participación, la meta de las prácticas es la recreación y el ocio. Esta práctica, también disponible para ser utilizada en el ambiente de la escuela, promueve una acción dirigida a la satisfacción y al placer, una acción “no comprometida” a los resultados o a la rigidez de las reglas. El deporte como desempeño, por su vez, es voluntario, es decir, no todos los individuos pueden ser atletas (por lo menos en la modalidad que quisieran practicar), puesto que esto exige características físicas, sociales y cognoscitivas específicas centradas en el éxito en la practica de los deportes.
Después, la educación física fue regulada en la práctica y en la ley con la creación del CONFEF: Consejo federal de la educación física, por la Ley 9696/98. Este consejo es una entidad privada no lucrativa, con las jefaturas y el foro en la ciudad de Río de Janeiro, y busca dirigir, disciplinar y supervisar el ejercicio de las actividades apropiadas a los profesionales de la educación física. Hoy en día, entonces, la práctica de actividades físicas, sean en la educación física o en deportes, exige a profesionales cualificados para dirigirla e intervenir cuando se necesita. Aliadas a las instrucciones dadas por un profesional cualificado de la educación física, las actividades deportivas tienen como su ventaja principal la promoción de la salud del ser humano, considerada el mayor bien que un individuo puede hacer uso en la vida.
Todos los individuos pueden utilizar las actividades físicas para fines de promoción de la salud, sin restricciones de sus condiciones físicas, económicas, morales, sociales, culturales, religiosas y étnicas. Lo que sí es esencial en esta opción de la práctica del deporte es la suficiencia de espacios, de lugares, de ropas, y de alimentación, de modo que su uso sea, además de agradable, beneficioso.
El significado y la comprensión de la “salud” han pasado, principalmente en las últimas décadas, por cambios de concepto y alcance, de manera tal que lo qué se acentúa hoy es la salud como “estado” de bienestar, algo que implica un proceso respecto al mantenimiento de la salud y a la prevención de la enfermedad. En este contexto, la relación entre la actividad física y la salud viene gradualmente a ser también considerada de la perspectiva de la “calidad de vida”, implicando entonces un redimensionamiento de las prácticas de deportes debajo de lentes nuevas, partiendo del cuestionamiento y del conocimiento de la complejidad de las acciones de los seres humanos. Esta edición de O Mundo da Saúde nos presenta temas intrigantes, que nos incitan a hacer reflexiones importantes acerca de prácticas del deporte: esteroides anabólicos, sedentarismo, investigaciones de campo sobre el entrenamiento, alteraciones posturales, nutrición, enseñanza, entre otras. Nos beneficiamos de esta ocasión para presentar nuestros agradecimientos a todos los colaboradores de esta edición, que creen en la posibilidad de los seres humanos promover una sociedad más feliz y saludable. |