PESQUISA E EQUIDADE EM SAÚDE
Leo Pessini

Pesquisa e Equidade em Saúde: condições fundamentais para a construção de um futuro digno para a humanidade

A complexidade que caracteriza o mundo atual e, particularmente, o cenário da saúde exige uma nova forma de pensar e agir em saúde, se se considerar a premência da efetivação de uma reconstrução social. Romper com a visão setorializada e disciplinar da saúde significa inscrevê-la na esfera do conhecimento, pela dimensão interdisciplinar e, na esfera da prática social, pela dimensão da intersetorialidade. Assim, um saber interdisciplinar, aliado a um fazer intersetorial, assenta-se em base tripartite da equidade, qual seja: a promoção da saúde, a prevenção de enfermidades e a atenção curativa. As transformações do mundo do trabalho, das relações interpessoais e das inovações tecnológicas exigem, também, transformações na concepção crítica de saúde. Isso implica considerar a articulação teoria e prática como geradora de problematização, mas também como caminho em direção permanente de novas respostas à diversidade da realidade.
Considerar a equidade em saúde é fundamental para o seu entendimento enquanto corpus de conhecimento disponível ao desenvolvimento da humanidade; saúde vista tanto como um direito, como uma perspectiva ao desenvolvimento mais amplo. Nesse contexto, o papel dos pesquisadores em saúde extrapola, certamente, as fronteiras das tradicionais ciências da saúde para, então, dialogar com outros campos originariamente afastados, como a engenharia, as ciências humanas e sociais, as ciências ambientais, entre tantos outros. A presença da complexidade da pesquisa em saúde permite direcionar a tradicional perspectiva disciplinar para outros limites, mais abrangentes, tendo como um dos eixos a visão interdisciplinar.
Assim, a dinamicidade da realidade ao criar um estado de permanente movimento em direção à adoção, adaptação e aplicação do então conhecimento existente faz instalar na esfera da pesquisa e dos pesquisadores uma também permanente “necessidade substancial de pesquisa”, de tal sorte que a criação de novos conhecimentos, tecnologias e serviços sejam, sob a ótica da equidade, traduzidos em intervenções efetivas, se não reduzindo, ao menos minimizando as desigualdades sociais e, ao mesmo tempo, capacitando as pessoas a serem mais saudáveis e felizes, em todo o planeta...
A presente edição de O Mundo da Saúde constitui-se de duas partes: uma dedicada às proposições das pesquisas no campo da Biomedicina, sob a coordenação da Profa.Dra.Margareth Zabeu Pedroso e da Profa.Dra Rosa Maria da Silva, e outra, às contribuições multi e interdisciplinares da pesquisa em saúde. Nessa oportunidade, manifestamos agradecimentos a todos os colaboradores deste periódico que acreditam e atuam na construção de um futuro esperançoso de justiça, equidade e saúde para toda a humanidade.


RESEARCH AND EQUITY IN HEALTH
Leo Pessini

Research and Equity in Health: essential conditions for constructing a worthy future for mankind


The complexity that characterizes our modern world and specially the health field demands a new way of thinking and acting in health if one considers the urgent need of social reconstruction. Going beyond the sectorialized and disciplinary view of health means to inscribe it in the sphere of knowledge, by means of an interdisciplinary dimension and, in the sphere of social practices, by means of intersectoriality. Thus, an interdisciplinary knowledge, together with an intersectorial acting has as its basis a tripartite ground of equity, namely, the promotion of health, the prevention of diseases and a curative care. The transformations suffered by the world of work, interpersonal relationships and technological innovations demand also transformations in the critical conception of health. This implies to take the integration of practice and theory as generating a problematization, but also as a way always directed toward new answers to the diversity of reality.
Take seriously equity in health is vital for understanding it as a body of knowledge available for the evolution of mankind, that is, health seen as a right, as a perspective for a greater development. In this context, the role of researchers in health certainly surpasses the borders of traditional health sciences in order to dialogue with other fields traditionally apart, such as engineering, human and social sciences and environmental sciences, among others. The presence of the complexity of research in health allows directing traditional disciplinary perspectives toward other, more inclusive, limits having as one of the axles an interdisciplinary perspective.
Thus, the dynamicity of reality when creating a state of permanent movement towards the adoption, adaptation and application of existing knowledge establishes in the sphere of research and in researchers acting a permanent “substantial necessity of research”, so that the creation of new knowledge, technologies and services are, from the point of view of equity, translated in effective interventions which, for reducing or at least minimizing social inequalities at the same time as it enables people to be more healthful and happy in the entire planet…
The present issue of O Mundo da Saúde Journal is divided in two broad sections: one presents research proposals in the field of Biomedicine organized by Professor Margareth Zabeu Pedroso and Professor Rosa Maria da Silva, and the other brings to light the multi- and interdisciplinary contributions of research in health. We would like to express our gratitude to all collaborators of our Journal, who believe and act towards the construction of a hopeful future of justice, equity and health for all mankind.


INVESTIGACIÓN Y EQUIDAD EN SALUD
Leo Pessini

Investigación y Equidad en Salud: condiciones esenciales a la construcción de un futuro digno para la humanidad

La complejidad que caracteriza nuestro mundo moderno y especialmente el campo de la salud exige un nuevo modo de pensar y actuar en salud si uno considera la necesidad urgente de reconstrucción social. Ir más allá del punto de vista sectorializado y disciplinario del campo de la salud significa inscribirla en el campo del conocimiento, de promedio una dimensión interdisciplinaria y, en el campo de prácticas sociales, de promedio la intersectorialidad. Así, un conocimiento interdisciplinario, junto con una actuación intersectorial, tiene como su base territorio triple de equidad, a saber, la promoción de la salud, la prevención de las enfermedades y el cuidado curativo. Las transformaciones sufrieron por el mundo del trabajo, las relaciones interpersonales y las innovaciones tecnológicas exigen también transformaciones en la concepción crítica de la salud. Esto implica tomar la integración de la práctica y de la teoría como generadora de un problematización, pero también como manera dirigida siempre hacia nuevas respuestas a la diversidad que nos presenta la realidad.
Tomar en serio la equidad en la salud es vital para entenderla como base de conocimientos disponible para la evolución de la humanidad, es decir, la salud considerada como derecho y como perspectiva para un mayor desarrollo. En este contexto, el papel de investigadores en salud sobrepasa ciertamente las fronteras de las ciencias tradicionales de la salud para dialogar con otros campos tradicionalmente apartados, por ejemplo la ingeniería y las ciencias humanas y sociales y las ciencias ambientales, entre otras. La presencia de la complejidad en la investigación en salud permite dirigir las perspectivas disciplinarias tradicionales hacia otros límites, más inclusivos adoptando como uno de sus ejes una perspectiva interdisciplinaria.
Así, la dinamicidad de la realidad, cuando crea un estado de movimiento permanente hacia la adopción, la adaptación y el uso del conocimiento existente establece en el campo de la investigación y en los investigadores una permanente necesidad substancial de investigación, de modo que la creación de nuevos conocimientos, tecnologías y servicios sean, desde el punto de vista de la equidad, traducida en intervenciones eficaces que, reduzcan las desigualdades sociales o por lo menos las minimice al mismo tiempo que permite a la gente ser más saludable y feliz en el planeta entero…
Este número de O Mundo da Saúde se divide en dos secciones amplias: una presenta propuestas de investigación en el campo de la biomedecina organizadas por la profesora Margareth Zabeu Pedroso y la profesora Rosa Maria da Silva, y la otra trae contribuciones multidisciplinarias e interdisciplinarias de investigación en salud. Quisiéramos expresar nuestra gratitud a todos los colaboradores de nuestro periódico, que creen y actúan hacia la construcción de un futuro esperanzado de justicia, de equidad y de la salud para toda la humanidad.


 
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