SAÚDE DA FAMÍLIA E DIFERENTES INTERFACES
Leo Pessini*

A presente edição da revista “O Mundo da Saúde” tem como tema central Saúde da Família e diferentes interfaces. O conceito de saúde e o de família têm se ampliado na atualidade, assim como o processo de intervenção em saúde.
A constituição Federal de 1988 e a Lei n. 8080/90 lançaram as bases para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o qual passou a reunir todos os serviços públicos e privados de saúde, garantindo o acesso universal e equânime ao sistema, bem como enfatizando ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação de saúde. Assim o SUS completa, neste ano, vinte e dois anos de existência. No entanto, corroborando com a ideia de alguns autores, defendemos que ainda é um sistema em construção. Os que acompanham as mudanças no sistema de saúde do povo brasileiro devem admitir que importantes mudanças têm ocorrido, pelo menos no nível de debate e reivindicação da população brasileira por um sistema mais democrático e equânime, com base no princípio da universalidade.
A partir de 1994, o governo implantou políticas públicas por meio da atenção à Saúde da Família, consagrado com a sigla “PSF”, modelo já sedimentado em outros países. Outros segmentos privados também dão atenção à saúde da família de forma diferenciada, propondo um atendimento humanizado, direcionado à educação em saúde, ao apoio no tratamento e à prevenção de complicações.
A questão do atendimento à família por equipes de saúde é multifacetado. Aliás, dar conta da assistência ao ser humano é demasiado complexo. Assim, um dos grandes desafios é atender à pessoa segundo suas próprias necessidades. Um dos principais pilares da saúde da família está na implementação de recursos públicos/privados, tendo como um dos objetivos fazer um diagnóstico da situação de saúde encontrada no território. É nesse sentido que conhecer o perfil socioeconômico e epidemiológico de um segmento social é crucial para uma boa gestão, com repercussão nas ações de saúde. A multiculturalidade é outro desafio, assim como todo tipo de iniquidade a que está sujeita grande parte de nossa sociedade.
Por outra via, outro desafio é a criação de modelos de atendimento que vão ao encontro das necessidades da população atendida. As políticas públicas são voltadas para doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, ao lado das doenças mentais, que, atualmente, são as moléstias que mais incapacitam para o trabalho no mundo. Enfim, é uma variedade de problemas que causam sofrimento e desconforto ao cidadão e, por consequência, à família e à sociedade.
Sabe-se que os recursos gastos em saúde são parcos. O Brasil gasta cerca de 8% de seu PIB em saúde. O envelhecimento populacional e o aumento das doenças crônico-degenerativas tornam as demandas em saúde cada vez mais crescentes. Atrelado a esse cenário, a melhoria nas tecnologias médicas nos torna cada vez mais dependentes de parcerias para o atendimento às necessidades emergentes dos cidadãos, que precisam manter sua qualidade de vida; nesse sentido, o sistema e os cidadãos têm limitações, pois devem, por um lado, atender à população considerando a diversidade de prescrições, e, por outro, tomar uma infinidade de remédios prescritos por diferentes especialistas.
As tecnologias leves, como acolhimento, vínculo, humanização, afetividade, embora não sejam caras, são as que mais carecem de uso por parte dos profissionais. Não há dúvida de que o alcance de medidas educativas em saúde e da transformação efetiva nos hábitos de saúde é imprescindível. Assim, convidamos o leitor a compartilhar da leitura e conhecimento das pesquisas realizadas por estudiosos que militam na prática dos serviços.
Nesta oportunidade manifestamos nossos agradecimentos pelo empenho no aprofundamento científico desta temática a todos os colaboradores e, em especial à Profa. Dra. Lucia Leite Campinas e à Profa. Dra. Elma Zoboli.
Almejamos que esta perspectiva inovadora da Saúde da Família no âmbito da saúde brasileira se constitua em uma alavanca para a construção de uma sociedade mais justa, equânime e saudável.

* Teólogo. Doutor em Teologia Moral – Bioética. Superintendente da União Social Camiliana. Vice-reitor do Centro Universitário São Camilo.
Editor-chefe. E-mail: pessini@saocamilo-sp.br


FAMILY HEALTH AND SEVERAL DISTINCT INTERFACES
Leo Pessini*

The present issue of “O Mundo da Saúde” magazine has as its central topic Family Health and several distinct interfaces. The concepts of health and family are currently broader, and so is the process of intervention in the health field.
The Federal Constitution of 1988 and Act N. 8080/90 established the grounds for the creation of Unified Health System in Brazil (SUS), which started to congregate all public and private health services, guaranteeing the universal and equalitarian access to the system, as well as emphasizing actions for health promotion, prevention, treatment and rehabilitation. SUS completes this year twenty and two years of existence. However, corroborating the idea of some authors, we defend that it still is a system in construction. Those who followed the changes in the Brazilian health system must recognize that important changes have occurred, at least in the level of debate and claims from the Brazilian population for a more democratic and equalitarian system on the basis of the principle of universality.
From 1994 on, the government implanted public policies by means of assistance to Family Health, now known by the acronym “PSF”, a model already consolidated in other countries. Other private segments also give attention to family health in a differentiated way, proposing a humane assistance directed to education in health, treatment support and complication prevention.
The question of assistance to families by health teams is multifaceted. By the way, to give account of assistance to human being is too complex a topic. Thus, one of the greatest challenges is to take care of people according to their specific necessities. One of the main pillars of family health is the implementation of public and private resources, having as one of the objectives to make a diagnosis of the situation of health found in the territory. It is in this sense that knowing the social-economic and epidemiologic profile of a social segment is crucial for a good management, with a repercussion in pro-health actions. Multiculturality is another challenge, as well as all kinds of iniquities that affect a great many members of our society.
On the other hand, another challenge is the creation of assistance models that care for the necessities of the assisted population. Public policies are directed toward chronic diseases such as hypertension, diabetes, and also mental disturbances, which currently are the more incapacitating diseases as regards the work in the world. Thus, there are a great many problems that cause suffering and discomfort to subjects and as a consequence to families and the society.
One knows that public health resources are sparing. Brazil spends about 8% of its GNP in health. Population aging and the increase of chronic-degenerative diseases demand ever increasing expenses in health. To this adds the improvement in medical technologies, which creates an increasing dependence from partnerships for assist the emergent necessities of subjects, whose quality of life has to be kept; in this sense, the system and subjects have limitations because there is on the one hand a need to take care of the population considering the diversity of prescriptions, and on the other to take the infinity of drugs prescribed by different specialists.
Light technologies, such as shelter, bonding, humanization, affectivity, although not expensive, are the last used by professionals. No doubt it is vital to extend the reach of educative measures in health, and effective changes in health habits are essential. Thus, we invite the reader to share the reading and knowledge of research carried through by scholars that militate in the practice of services.
In this occasion, we manifest our gratefulness for the persistence in the scientific deepening of these themes to all collaborators and in special to Lucia Leite Campinas, Ph.D. and Elma Zoboli, Ph.D.
We expect this innovative perspective of Family Health in Brazilian health field to constitute a landmark for the construction of a more just, egalitarian and healthful society.

* Theologian. Ph.D. Moral Theology – Bioethics. Superintendent of União Social Camiliana.
Vice-rector Centro Universitário São Camilo. Editor-in-chief.


LA SALUD DE LA FAMILIA Y VARIOS INTERFACES DISTINTOS
Leo Pessini*

Esta edición de “O Mundo da Saúde” tiene como su tema central la salud de la familia y varios interfaces distintos. Los conceptos de salud y de familia son actualmente más amplios, y así lo es el proceso de intervención en el campo de la salud.
La constitución federal de 1988 y la Ley N. 8080/90 establecieron las bases para la creación del Sistema Unificado de Salud en Brasil (SUS), que comenzó a congregar todos los servicios médicos privados y públicos, garantizando el acceso universal y igualitario al sistema, así bien acentuando las acciones para la promoción, la prevención, el tratamiento y la rehabilitación de la salud. El SUS hace este año veinte y dos años de existencia. Sin embargo, corroborando la idea de algunos autores, defendemos que él sigue siendo un sistema en construcción. Los que siguieron los cambios en el sistema brasileño de salud deben reconocer que han ocurrido cambios importantes, por lo menos en el nivel de discusión y de demandas de la población brasileña por un sistema más democrático y más igualitario en base del principio de universalidad.
A partir de 1994, el gobierno implantó políticas públicas por medio de asistencia a la salud de la familia, ahora conocida por las siglas “PSF”, un modelo consolidado ya en otros países. Otros segmentos privados también ofrecen asistencia a la salud de la familia de una manera diferenciada, proponiendo una asistencia humanizada dirigida a la educación en salud, la asistencia al tratamiento y la prevención de complicaciones.
La cuestión de la asistencia a las familias por los equipos de salud es polifacética. A propósito, dar cuenta de la asistencia al ser humano es un asunto demasiado complejo. Así, uno de los desafíos más grandes es ofrecer cuidados a la gente según sus necesidades específicas. Uno de los pilares principales de la salud de la familia es la puesta en práctica de recursos públicos y privados, teniendo como uno de las metas hacer un diagnostico de la situación de la salud en el territorio. En este sentido, conocer el perfil social-económico y epidemiológico de un segmento social es crucial para una gestión adecuada, con una repercusión en acciones de promoción de la salud. El multiculturalismo es otro desafío, así como todas las clases de iniquidades que afectan a muchos miembros de nuestra sociedad.
Por una parte, otro desafío es la creación de modelos de asistencia que cuiden de las necesidades de la población asistida. Las políticas públicas se dirigen hacia enfermedades crónicas tales como hipertensión, diabetes, y también los disturbios mentales, que son actualmente las enfermedades de mayor privación de capacidad en lo que concierne al trabajo en el mundo. Así, hay muchos problemas que causan sufrimiento y malestar a los sujetos y por consiguiente a las familias y a la sociedad.
Uno sabe que los recursos de salud pública son escasos. El Brasil gasta cerca de 8% de su PIB en salud. El envejecimiento de la población y el aumento de las enfermedades crónico-degenerativas exigen gastos cada vez mayores en salud. A esto se agrega la mejora en tecnologías médicas, que crea una dependencia cada vez mayor de las sociedades para acudir las necesidades emergentes de los sujetos, cuya calidad de vida tiene que ser mantenida; en este sentido, el sistema y los sujetos tienen limitaciones porque hay por una parte una necesidad de ofrecer cuidados a la población de una manera que considere la diversidad de recetas, y en por otra tomar el infinito numero de drogas prescritas por diversos especialistas.
Las tecnologías leves tales como abrigo, vinculo, humanización, afectividad, aunque sean no costosas, son las últimas usadas por los profesionales. No hay duda que es vital prolongar el alcance de medidas educativas en salud, y cambios eficaces en hábitos de salud son esenciales. Así, invitamos al lector que comparta la lectura y el conocimiento de las investigaciones ejecutadas por investigadores que militan en la práctica de servicios.
En esta ocasión, manifestamos nuestra apreciación por la persistencia en la profundización científica de estos temas a todos los colaboradores y en especial a las Profesoras Doctoras Lucía Leite Campinas y Elma Zoboli.
Esperamos que esta perspectiva innovadora de la salud de la familia en el escenario brasileño de salud constituya un marco para la construcción de una sociedad más justa, más igualitaria y saludable.

* Teólogo. Doctor – Teología Moral y Bioética. Superintendente de la União Social Camiliana.
Vicerrector del Centro Universitario São Camilo. Editor-jefe.


 
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